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O que dá certo na EJA - Revista Nova Escola/Agosto
Data: 25/07/05

O QUE DÁ CERTO NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

?Misturar as disciplinas - já que no mundo elas não estão separadas -, integrar os alunos na vida escolar e usar a experiência deles em sala. Essas são algumas das chaves para você abrir as portas da escola àqueles que demoraram tanto para chegar até ela.? Meire Cavalcante

?A caneta que meu pai me deu foi o cabo da enxada?, lamenta Luzinete Maria da Silva, agricultora pernambucana de 50 anos, que cresceu na roça e acaba de se alfabetizar. ?Ele dizia que mulher só servia para trabalhar e que, se eu fosse para a escola, ia ficar mandando bilhetinho para namorado?. A história de Luzinete é semelhante à de milhões de brasileiros com mais de 15 anos que são analfabetos ou têm escolarização incompleta. E as causas são as mesmas: pais analfabetos ou machistas, necessidade de trabalhar, inexistência de escolas, paternidade e maternidade precoces e falta de dinheiro, transporte, comida e oportunidade. Mas esse quadro está mudando. Luzinete estuda em uma turma de alfabetização na cidade de Limoeiro e quer fazer o Ensino Fundamental. Assim, ela será um dos 4,5 milhões de brasileiros que cursam as aulas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para conquistar não só um diploma mas uma vida mais digna. É claro que a melhora da escolaridade da população não depende apenas de programas de alfabetização. É preciso incentivar os egressos a continuar os estudos.

Os alunos também vão em busca de instrumentos para viver no mundo da informação e elaborar pensamentos e ações de forma crítica. ?Disso depende a auto-estima, a identidade e até a possibilidade de conseguir um emprego?, afirma Timothy lreland, diretor de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad). Criado em julho de 2004 pelo Ministério da Educação, o órgão coordena ações de alfabetização e oferece apoio financeiro e pedagógico para que estados e municípios garantam a continuidade dos estudos de quem já aprendeu a ler e escrever. ?Nos últimos 30 anos, não houve articulação entre a escolarIzação e a alfabetização de jovens e adultos. Não se pode separar uma da outra?, afirma lreland.

Quem tem uma turma de EJA sabe das dificuldades de manter o interesse dos alunos - que chegam cansados do trabalho -, de planejar aulas que tenham relação com a vida deles e que não sejam uma versão empobrecida do que é dado a crianças e adolescentes. Mas já há inúmeras escolas trabalhando a EJA com sucesso. Selecionamos experiências que trazem os fundamentos para que você possa dar aos estudantes oportunidade de se tornarem cidadãos autônomos e transformar a escola na porta de entrada de um mundo a ser descoberto.

Alfabetizar para manter os alunos estudando

Um dos grandes parceiros do governo na luta contra o analfabetismo é o Serviço Social da Indústria (Sesi). O Projeto Sesi por um Brasil Alfabetizado começou em 2003 e já alfabetizou 600 mil pessoas. Enquanto o governo federal capacita e paga os alfabetizadores, o Sesi fornece material didático e capacita e paga os supervisares. ?Eles orientam o trabalho em sala, tiram dúvidas e proporcionam a troca de experiências entre os alfabetizadores?, explica Eliane Martins, coordenadora nacional de alfabetização do projeto.

Seguindo a linha do educador Paulo Freire (1921-1997), o projeto alfabetiza com base em temas geradores, fazendo a ligação dos conteúdos escolares com a vida dos estudantes. Em sua turma de alfabetização na Escola Municipal José Clementino Coelho, na zona rural de Limoeiro, o professor Aluízio Barbosa da Silva, por exemplo, começou uma das aulas com uma canção sobre o meio ambiente. Enquanto cantavam, os alunos treinavam a leitura e aprendiam que as queimadas empobrecem o solo, tirando o sustento deles e das próximas gerações. ?Eu vi por que é importante reciclar o lixo e que muitas famílias vivem de vender os materiais recicláveis?, conta a agricultora Marlene Rosa de Lima Silva, 46 anos.

O Sesi atua ainda em parceria com escolas particulares. Na mesma Limoeiro, o Educandário Beatriz França recebe algumas turmas do projeto no período noturno. Os alfabetizandos participam, uma vez por semana, de aulas de ginástica laboral dadas voluntariamente pela professora de Educação Física da escola, Cristina Maria de Mendonça. ?Ensino exercícios de relaxamento e alongamento e utilizo músicas e brincadeiras. Com o espírito mais leve, a aprendizagem melhora.? Cristina revela que alguns estudantes mais velhos não conheciam doenças como artrite e osteoporose. ?Eles falam que com a ginástica as dores sumiram?, diz. ?Não estamos apenas emprestando algumas salas de aula. Todos têm acesso à biblioteca e, assim que inaugurar a sala de informática, também poderão usá-la. É uma forma de contribuir para o desenvolvimento da nossa comunidade?, afirma a diretora Maria do Socorro Pereira de Souza.

Paralelamente a trabalhos como esse, estados e municípios já se movimentam para proporcionar a continuidade da escolarização aos formandos das turmas de alfabetização. A orientação da Secad é de que os alunos sejam estimulados pelos professores a prosseguir os estudos. ?Em Limoeiro, estamos mobilizando as secretarias estadual e municipal de educação para ampliar a oferta de EJA. Muitos desistem porque a escola fica distante demais?, afirma Luiza Antônia Ferreira, supervisora do projeto do Sesi no município.

Mostrar que a escola se modernizou

Um grande desafio para professores de jovens e adultos é acabar com a estranheza que a escola causa a muitos logo nos primeiros dias de aula. O modelo que a maioria guarda na memória é de salas com carteiras enfileiradas, quadro-negro, giz, livro, caderno e um professor - que fala o tempo todo e passa tarefas. Muitos alunos, ao participar de debates, estudos do meio, apresentações de vídeo ou dinâmicas de grupo, ficam com a sensação de que estão sendo ?enrolados?.

Para Vera Masagão Ribeiro, coordenadora de programas da Ação Educativa, organização não-governamental em São Paulo, é importante mostrar que recursos variados também fazem parte da aprendizagem. Para isso, relacionar esses recursos com o conteúdo da aula é um bom começo. ?Se a idéia é passar um vídeo para a turma, o professor pode antes dar um texto sobre o tema e provocar uma breve discussão. Terminado o filme, ele pergunta aos alunos qual foi o trecho mais emocionante ou marcante?, sugere Vera. Ela alerta, no entanto, que é preciso combinar essas atividades com o momento do registro escrito que, para a turma, é uma característica específica da escola. ?Ao escrever, eles têm o sentimento de aprendizagem, de apropriação do conhecimento.?

Na Escola Estadual Jorge Fernandes, em Natal, os professores de EJA são orientados a preparar o terreno antes de cada atividade diferenciada. ?Se o aluno for pego de surpresa, acaba achando que aquilo não faz parte da aula?, afirma a vice-diretora da escola, Maria Gorete de França Gomes. ?Por isso, os professores mostram, aos poucos, que existe um mundo além do quadro e do giz: há filmes, músicas, entrevistas, documentários, livros e tantas outras coisas interessantes às quais a maioria não tem acesso?, explica. Mas e se, mesmo adotando essas estratégias, o aluno insistir em questionar a qualidade da aula? ?Essa é uma boa oportunidade de o professor mostrar que o simples fato de questionar já é um aprendizado?, diz Sônia Giubilei, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

?Eu estudei até a 4ª série do primário. No meu tempo, o professor parecia que ficava um degrauzinbo acima da gente e ninguém abria a boca. Dava para ouvir a respiração dos colegas?, conta a auxiliar de enfermagem Maria de Lima Pimenta Silva, 60 anos, que acabou de completar o Ensino Médio. Os anos de rigidez escolar fizeram com que Maria tivesse medo e vergonha de fazer perguntas e de errar. ?Quando voltei para a escola, eu achava que tinha só que escutar. Perguntar e discutir era perda de tempo. Agora aprendi que, se não pergunto, não aprendo?, conclui Maria. ?Cabe ao educador mostrar que o conhecimento não está apenas no livro ou em sua fala mas em tudo que nos cerca, no nosso cotidiano?, afirma Sônia, que coordena desde 1995 o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos (Gepeja) da Unicamp. O objetivo do grupo é dar uma formação cidadã e crítica aos estudantes.

Ensinar as disciplinas como elas aparecem na vida

O estudo do meio é uma das atividades desenvolvidas pelo Gepeja com as turmas de EJA, em Campinas. Em uma viagem realizada no último mês de junho à cidade de Porto Feliz, distante cerca de 90 quilômetros, cada aluno recebeu uma pasta com seu nome, folhas para anotações, textos, mapas, reportagens e crônicas sobre a visita e o tema gerador, "água". Tudo serviu de gancho para a aprendizagem graças ao preparo dos professores. O ônibus contratado para fazer o transporte atrasou em quase uma hora. Além disso, não tinha microfone - uma das exigências feitas pelo Gepeja. "Pessoal, segunda-feira vamos escrever uma carta à empresa reclamando. Pagamos por um serviço e temos o direito de exigir que ele seja feito", ensinou a professora Sônia.

Os alunos estudaram conceitos de física, como velocidade, relacionando o tempo da viagem e os quilômetros percorridos, calcularam quantos litros de água uma cidade como Campinas consome a cada mês e aprenderam sobre a história das monções - expedições de navegação em rios ocorridas nos séculos 18 e 19 - que partiam de Porto Feliz. Ao verem peças de tortura da época da escravidão expostas em um museu, debateram sobre as condições de vida dos negros no Brasil. Eles discutiram também o grau de poluição do rio Tietê e que impactos isso traz para a vida deles e das futuras gerações. "Nossa preocupação é despertar o senso crítico para que os alunos possam, por exemplo, perceber o que é possível fazer na comunidade para melhorar a qualidade de vida", afirma Angélica Sacconi Leme, professora da sala de alfabetização do Gepeja.

No final do dia, o grupo foi convidado a responder uma folha de avaliação. O questionário abordava, por exemplo, o que mais chamou a atenção da turma e a qualidade do transporte e do lanche. Em seguida, os professores organizaram um bate-papo, que resgatou temas de aulas anteriores e conteúdos estudados. Todos estavam com a matéria na ponta da língua. "Temos que conservar os lençóis freáticos para ensinar aos mais novos. Senão, tudo isso vai acabar", afirmou Josué Pimenta Silva, 78 anos, motorista aposentado.

Usar a experiência da turma como base das aulas

Projetos que fazem sentido para os alunos mostram que o mundo não pode ser dividido por disciplinas, como acontece na escola. Dessa forma, eles começam a relacionar os conteúdos estudados com fatos do cotidiano e do trabalho. Ao aprenderem o que eram bactérias, as empregadas domésticas que cursam as aulas do nível 2 de EJA (3ª e 4ª séries) da Escola Estadual Jorge Fernandes, em Natal, descobriram por que para cozinhar é tão importante manter as unhas cortadas e as mãos sempre limpas.

A professora Maria das Graças Cardoso Amorim percebeu que a profissão de grande parte da turma daria um bom mote para as aulas. Todas as segundas-feiras um grupo de estudantes vai para a cozinha preparar uma iguaria. Enquanto isso, o restante da turma copia a receita do quadro-negro e faz os exercícios de gramática e ortografia. Ao fim da aula, todos se reúnem para provar o prato e conversar. É um momento de socialização, que fortalece os vínculos do grupo.

No decorrer da semana, a professora trabalha leitura, conteúdos de Matemática e Ciências, noções de higiene e também fala da cultura e da história das receitas regionais. Maria das Graças leva em conta a assiduidade, a participação e o envolvimento com as aulas. Esse acompanhamento contínuo permite que ela lance mão de estratégias variadas para ajudar cada um a superar suas dificuldades. Além de dar conta do currículo, as alunas que trabalham como empregadas domésticas saem mais qualificadas para o trabalho e para a vida.

?Minha patroa adora as receitas que eu levo daqui?, conta Maria das Vitórias Domingos da Silva, 29 anos. "Algumas patroas ligaram para a escola elogiando o trabalho desenvolvido e a evolução no vocabulário das funcionárias", diz a professora Maria das Graças. Ela se preocupa em mostrar à turma que o trabalho de cada um é de extrema importância para a sociedade. "Minha patroa é professora aposentada. O saber dela é um, o meu é outro. E nós duas somos importantes", constata Maria Analete da Silva Aguiar, 45 anos, que pretende continuar os estudos e, no futuro, trabalhar com alimentos congelados e doces e salgados para festas. "Meu trabalho melhorou muito. Aqui aprendi a usar touca, luvas e avental para manter a higiene", afirma Maria Auxíliadora dos Santos, 35 anos. "Nossa cozinha ainda é pequena, mas o sucesso do projeto tem sido tão grande que já estamos sonhando com uma cozinha experimental", revela a více-diretora Maria Gorete.

Ampliar os horizontes culturais dos estudantes

A escola pode apresentar o mundo cultural aos alunos. Para explorar uma metrópole como São Paulo, que oferece tantas opções, Ricardo Barros, professor-coordenador de EJA da Escola Estadual Rodrigues Alves, criou o projeto Você Tem Fome de Quê?, em que os conteúdos aprendidos em sala se relacionam com as manifestações culturais da cidade. Os professores organizam visitas a exposições de arte, teatros, cinemas e museus e recebem artistas na escola, que expõem seus trabalhos e suas idéias.

"A primeira vez que fui a uma exposição, achei tudo elegante demais. Fiquei tímido. Hoje já me sinto mais à vontade", conta o manobrista Marcos Antônio dos Santos Soares, 26 anos. "Quando vi que a gente ia sair por aí visitando exposições, pensei que era bobagem. Achava que eu tinha que aprender a ler e escrever e só. Agora fico ansiosa esperando o próximo passeio", diz a acompanhante Arlete Alves Feitosa, 22 anos. Marcos e Arlete cursam o 1º ano do Ensino Médio.

Ao participar de uma visita monitorada ao Centro Universitário Maria Antônia, os alunos discutiram o consumismo e a influência da TV no nosso modo de pensar e participaram de uma oficina sobre desenho e linguagem da fotografia. Como o trabalho é interdisciplinar, quem acompanhou o grupo foi a professora de Geografia Aline Cristina Cardoso de Castro. "A turma precisa perceber que, apesar de ser um só assunto, ele se relaciona com várias disciplinas."

São comuns casos de estudantes que nunca foram ao cinema ou ao teatro. "O projeto toma esses adultos mais sensíveis à ação transformadora da arte", afirma Ricardo. "A nossa mente se abre, a gente começa a ficar mais crítico. Eu nunca pensei em fazer uma faculdade. Agora meu objetivo é ser psicóloga e trabalhar com Educação Especial", revela a empregada doméstica Maria de Lourdes Alves Nascimento, 35 anos.

Integrar os jovens e adultos aos demais alunos

Tomar as turmas de EJA parte da comunidade escolar é fundamental para o sucesso da aprendizagem e para evitar a evasão. O aluno não pode sentir que aquele espaço é apenas emprestado. "Não são raros os casos de escolas que trancam a biblioteca, a sala de informática e até alguns banheiros à noite, no período em que os adultos estão lá", afirma Vera Masagão. Além disso, muitas vezes eles são excluídos das festas e feiras culturais, do jornal interno e dos eventos da escola.

Para promover a integração de todas as modalidades de ensino, a secretaria de educação de Pombal, na Paraíba, organiza anualmente um desfile de carroças na época de são João. Todos, desde a creche até a Educação de Jovens e Adultos, enfeitam suas carroças - e os burros que as puxam - para mostrar ao público o quanto conhecem e valorizam a própria cultura. Antes do grande dia, os alunos estudam os símbolos de são João, como a fogueira e as bandeirinhas, e aprendem sobre a origem da festa e a culinária local. O tema escolhido pelas turmas de EJA para enfeitar a carroça foi a mulher rendeira. O capricho na confecção dos adereços, laços e babados e da boneca rendeira mostra o carinho e o interesse dos alunos pela escola. "Participo de tudo que os mais jovens fazem. É uma alegria", afirma Raimundo dos Santos Lima, 52 anos, o orgulhoso dono do burro que puxou a carroça da EJA no desfile.

Assim como em todo o Brasil, Pombal não atende apenas senhores e senhoras. Cristiano Santos Morais, por exemplo, tem apenas 15 anos. "Parei na 1ª série, quando tinha 9 anos, para ajudar meu pai na roça. Não deu nem para aprender a ler e escrever." De volta à 1ª série do ensino regular, a distorção idade-série foi um peso muito grande para o adolescente. Ele se sentia deslocado e envergonhado por estar entre os pequenos. "Um dia ele me disse que ia abandonar os estudos. Perguntei se não queria tentar na EJA e deu muito certo", diz Mayenne-Van Bandeira de Lacerda, secretária municipal de educação.

A EJA foi implantada na cidade em 2001, incentivada pela atuação do Alfabetização Solidária, organização não-governamental que desde de 1998 já atuava ali. "Muitos ficavam frustrados por não ter escola para seguir os estudos. Entrei em contato com a secretaria para atender a essa demanda", lembra Vera Lúcia Vieira Medeiros, coordenadora do Alfabetização Solidária e de EJA de 1ª a 4ª série do município.

A metodologia voltada à formação de cidadãos mostra aos alunos que o estudo faz diferença no seu cotidiano. "Morria de vergonha de não saber assinar meu nome. Estar em uma escola tão boa, que ensina a ler, escrever e saber dos meus direitos, é como ganhar na loteria", conta o agricultor Raimundo Laurentino de Matos Filho, 38 anos. A satisfação é também dos professores. "Até pouco tempo eu não sabia se era realizada profissionalmente. Depois de ver meus alunos progredindo, apesar de tantas dificuldades, não tenho mais dúvidas", conclui Maria Silene Manins Gomes, professora da 2ª série da Escola Municipal de Ensino Fundamental Newton Seixas.

Bibliografia

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, Jaqueline Moll (org.), 144 págs., Ed. Mediação.

JOVENS CADA VEZ MAIS JOVENS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, Carmen Brunel, 96 págs., Ed. Mediação

COLEÇÃO VIVER, APRENDER, Ação Educativa (28 livros para professores e alunos do Ensino Fundamental), Ed. Global.

EDUCAÇÃO NA CIDADE, Paulo Freire, 144 págs., Ed. Cortez

POLÍTlCA E EDUCAÇÃO: ensaios, Paulo Freire, 120 págs., Ed. Cortez.

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