
Victor Faccioni ? Presidente do TCE-RS
No caminho da nova educação
Data:
09/09/05
A propósito da louvável e oportuna campanha "Educar é Tudo", que a RBS está empreendendo, vejo que ela vai ao encontro das aspirações e transformações de uma nova educação para este século 21. Diariamente, crianças, jovens e adultos são, bombardeados por milhares de informações. Só no campo da física nuclear, por exemplo, são publicadas, em média, 57 mil páginas/ano. Hoje, mais do que assimilar conhecimentos, pois tal é seu volume em todas as áreas, é preciso aprender a navegar, aproveitando os recursos da microeletrônica e da informática. Nelas, o estoque de informações em memórias é quase infinito, as quais podem ser acessadas em frações de segundo. Isto obriga a rever os métodos escolares vigentes e também o próprio papel dos educadores e de sua formação.
Já as rápidas transformações nos meios e modos de produção, resultado da revolução tecnológica e científica, estão nos levando, na visão de Alvin Toffler, para a chamada terceira onda, isto é, a do valor agregado do conhecimento. O que tem a ver isso com a educação? O profissional do futuro terá, como principal tarefa, aprender, porque para executar trabalhos "braçais" existirão computadores e robôs. Ao homem compete ser criativo, imaginativo, inovador, a tal ponto que muitos defendem que uma única boa idéia justificaria o salário de vários anos de um empregado na empresa. A escola, por outro lado, deve preparar os alunos para essa realidade. "Quanto menos informações inúteis colocamos na cabeça dos nossos alunos" mais espaço sobrará para as grandes idéias?, recomenda o físico russo Lev Landau.
Olha-se, ainda, com certa desconfiança o uso do computador na sala de aula, o que levou o criador da Logo Seymour Pappert, a ironizar: "Não morda meu dedo, olhe para onde estou apontando"; e o sociólogo italiano, Domenico de Masi, a sugerir nos seus livros O ócio criativo e A sociedade pós-industrial: "Não podemos mais continuar formando os jovens apenas para o trabalho e o lucro. É preciso oferecer a formação total, isto é, educar não apenas para o trabalho, mas também para o estudo, para o ócio, para as satisfações e necessidades mais essenciais do ser humano: o amor, a amizade, a diversão, o convívio, a solidariedade, a beleza. Significa formar o cidadão em toda a sua amplitude de homem econômico, estético, social e ético". Investir nessa nova educação, reestruturada, participativa, estimulante, portanto, é preparar cidadãos que irão edificar uma sociedade mais justa e eqüitativa para todos os brasileiros. A campanha "Educar é Tudo" está percorrendo esse caminho.


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