
Cleonice Guerra
Professora do ensino fundamental e pedagoga
Mais respeito, eu sou professor (Fonte: Jornal Zero Hora/RS, página 25, dia 30/09/05)
Data:
05/10/05
A escola é um lugar onde devem ser oportunizadas ao aluno as possibilidades de exercitar sua imaginação, desafiar seu raciocínio, levantar hipóteses, investigar resultados, trabalhar suas emoções e sua liberdade. É um lugar de transmissão de conhecimento, sim. Porém, não mais como uma via de mão única. É um lugar que transforma e constrói responsabilidades. Oportuniza o saber, valores e atitudes necessárias à sobrevivência da sociedade.
E como falar em escola sem falar em professor?
Há um texto bem interessante rolando na Internet (autor desconhecido) no qual temos que responder se lembramos o nome da pessoa mais rica do mundo, o nome da última miss universo, o vencedor do prêmio Nobel, o contemplado com o último Oscar como atriz e ator... É claro que, se lembrarmos, não é com facilidade. Os aplausos se foram. Os troféus empoeiraram.
Agora, pense no nome de algum professor que o ajudou na formação dos seus valores, que o fez enxergar o mundo de um jeito diferente, que compreendeu o seu olhar, que o despertou para o prazer das descobertas...
Nos tempos de hoje, em que temos diante de nós uma geração informatizada e uma sociedade tecnológica, é urgente privilegiar a construção coletiva dos conhecimentos, na qual o professor é quem intermedia e orienta essa possibilidade.
Professor tem que acreditar no seu discurso e comprovar com sua prática. É alguém disposto a aprender com seus alunos e interagir com eles. Deve aproximar nossas crianças das tecnologias, mas, principalmente, resgatar valores perdidos no trilhar acelerado das evoluções tecnológicas: afeto, solidariedade, toque de mãos, abraços desinteressados, olhos nos. olhos, cumplicidade, sonhos.
Nessa sociedade em permanente transformação, em que nossa confiança é posta à prova a cada amanhecer, em que as decepções vão se acumulando, seja na política, seja no futebol, o professor deve estar preparado para capacitar seus alunos a desenvolverem competências para resolver situações complexas e inesperadas, para realizarem buscas e trocas de informações, para discutir, dentro da sala de aula, questões que envolvem o partido político que carregava a esperança de um novo Brasil e as revelações inacreditáveis do juiz que acabou fazendo jus ao coro que vinha das arquibancadas...
Esse é o professor que exige respeito. Um professor que ama aquilo que faz, apesar de ser tão desvalorizado num país que, ainda, não prioriza a educação. Podemos ter as melhores máquinas à nossa disposição, mas nenhuma delas substituirá o olhar atento, o gesto oportuno, a fala que acolhe do professor.
O mestre deve ser o referencial, o interventor seguro, capaz de auxiliar seus alunos nos seus projetos e sonhos. Acredito que o aprender não termina com os ciclos pelos quais passamos. Aprendemos sempre. E lembrando Rubem Alves, tomo a liberdade de modificar um pouquinho uma citação feita por ele: Há professores gaiolas e professores asas. Que professor é você?


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