
Cleusa Beckel
Coordenadora de Ensino
A escola e as mudanças na educação
Data:
24/10/05
Na busca de mudanças em benefício da educação, a escola deve abrir espaços, para a aprendizagem de seu corpo docente. Muitos problemas enfrentados pelos professores durante sua trajetória profissional, acabam gerando pouco envolvimento com as reformas de ensino. Necessitamos ter presente o professor como indivíduo e profissional, na busca de ?professores totais?, que iram auxiliar nas transformações que almejamos para as ?escolas totais?. Na busca pelo profissionalismo interativo, devemos propiciar espaços para o aperfeiçoamento contínuo, onde a escola passa a ser vista como um ?centro de mudanças?, em que a colaboração significa uma visão em conjunto, através da articulação das diferentes vozes, o que é imprescindível, para que tenhamos o engajamento de todos.
Muitas vezes, acompanhamos situações distintas de professores, nas escolas. Numas o professor não é convidado a participar das decisões da escola e em outras ele é envolvido, sentindo-se assim, respeitado como profissional. Estas situações, certamente irão refletir na qualidade de ensino e aprendizagem em nossas salas de aula. Os professores, muitas vezes, colocam a sobrecarga como um dos fatores que atingem sua prática. Turmas grandes, crianças portadoras de necessidades especiais, problemas comportamentais e sociais... As escolas exigem que os professores lidem com habilidade e maior compromisso com diferentes comportamentos em sua sala de aula. Surge então, a necessidade de acompanhamento, assessoramento e trocas entre colegas, a fim de implementarem novas iniciativas. Porém, a sobrecarga de expectativas e soluções fragmentadas, continua sendo o problema principal. Encontramos ainda, o isolamento do professor, que limita o acesso a novas idéias e soluções melhores. Escondendo, muitas vezes, habilidades e competências, dificultando a construção de uma linguagem única. Não havendo oportunidade dos professores trabalharem em conjunto, aprendendo uns com os outros, buscando qualificarem sua prática, construindo o pensamento de grupo. Observações mútuas e feedback são importantes referenciais para o trabalho do professor. O trabalho em grupo é necessário, porém deve haver um certo cuidado, para que esta união e cooperação realizem ?coisas boas?. O trabalho individual também é essencial para que haja a reforma, pois primeiro o indivíduo muda a si mesmo, para depois influenciar o grupo. Pessoas conectam-se a outros, criando novas alianças. Vivenciar e descobrir melhores maneiras de trabalho cooperativo mobilizam o grupo e o desenvolvimento individual, desde que as individualidades sejam respeitadas. Com isto, a competência não-utilizada e a incompetência negligenciada, poderiam ser amenizadas, num ambiente de verdadeira aprendizagem: aprendendo uns com os outros. Muitas vezes, encontramos ainda, a limitação do professor e a distância entre líderes, gerando em geral, soluções impostas e incorretas. Se quisermos preparar líderes competentes, precisamos propiciar mais situações de liderança e administração, enquanto o professor ainda está vivenciando a sala de aula. Só quando, estimulado, capacitado e comprometido, o professor irá contribuir para que as mudanças sejam efetivadas na educação. Muitas reformas fracassam por não considerarem as necessidades dos professores, que são os elementos-chave para as mudanças.


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