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A IMPORTÂNCIA DA OBRA "YVY PORÃ PORAU E O RIO DE MEL"

Autora: Ângela Hofmann 

Ilustrador: Dane D'Angeli

A obra é indicada para leitura de estudantes do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental – Anos Iniciais. 

Insere-se no gênero literário conto. Classicamente, diz-se que o conto se define por uma narrativa ficcional de pequena extensão, história inventada por um narrador, com poucos personagens, enredo e ponto de vista do narrador, podendo ou não conter ilustrações .É composta por 40 páginas coloridas e ricamente ilustradas, no formato 205 mm x 275 mm. 

OS TEMAS

Encontros com a diferença 

A descoberta e o contato entre diferentes esferas culturais, sociais, geográficas, etc., bem como entre indivíduos de diferentes etnias, raças e/ou o encontro com pessoas com deficiências.  Na interação com a diferença, deve-se destacar a necessidade de atitude respeitosa e convívio pacífico.

A obra vem ao encontro de um tema muito necessário para a formação ética dos alunos: a convivência com a diversidade étnica, cultural, racial e geográfica: encontros com a diferença. Somos muitos, com diversas histórias e ancestralidades oriundas de diversas partes do planeta. Carregamos em nós a essência da humanidade expressa nas nossas formas de nos relacionarmos com o outro, com o meio, e com o mundo, construídas de acordo com nossas mais antigas origens e experiências. 

Yvy Porã Porau e o Rio de Mel conta uma história inspirada na tenacidade dos povos indígenas de superação e de sobrevivência em nosso país há mais de cinco séculos, das trocas solidárias entre muitos desses povos, do espírito de religiosidade e generosidade. 

Para além dos povos indígenas, a obra trata de temas sociais emergentes, como o respeito e a convivência interétnica dos povos que habitam um mesmo país, com diferentes culturas e origens, assim introduzindo o leitor no universo intercultural e linguístico inspirado na cultura dos povos originários. 

Cada etnia possui seu modo próprio de ser, construído historicamente na forma de relacionamento entre seus semelhantes e de convivência com os demais seres na natureza. Portanto, distintas culturas constroem distintos saberes na sua relação com o meio e com o cosmos, influenciando na língua, nos hábitos de vida, de moradia e alimentação, de religiosidade e valores de vida, estabelecendo formas de transmissão desses valores culturais às próximas gerações. 

Ampliar e analisar criticamente o conceito dos povos originários (e dos povos indígenas) apresentado no ensino escolar brasileiro, na mídia, na literatura e na sociedade como um todo, nos remete também a atualizar e respeitar a autoimagem que o brasileiro tem de si mesmo e de sua história constituída por ancestrais de diferentes origens e culturas.

A obra retrata de forma sensível e concreta as crenças, costumes, vestimentas, moradia, alimentação, língua, artesanato dos povos Tupi e Tupi-Guarani que habitam no Sul do Brasil. As ilustrações são fiéis aos costumes desses povos, incorporando ao livro inclusive, como pretendeu o ilustrador, características das “feições” de homens, mulheres e crianças dessas tribos, o que vestem, como se adornam e se pintam, a forma de festejar a vida e a bem-aventurança. Essa representação exigiu muita pesquisa e diálogo entre a Ângela e o Dane, resultando nas significativas imagens deste livro. 

Histórias sobre povos indígenas precisam ser “respeitosas” de sua cultura, como explica a autora, fugindo aos estereótipos midiáticos, aproximando os leitores da realidade desses povos de modo a valorizar as suas diferenças. Esse é um compromisso do professor ao desenvolver o tema dessa obra junto aos leitores. 

Autoconhecimento, sentimentos e emoções

Percepção do corpo, construção da identidade e processos de amadurecimento, bem como a relação de personagens/sujeitos líricos com suas emoções e sentimentos, tais como o amor, a alegria, o luto e a dor.

Para compreender o outro, diferente de mim, é essencial que não nos acostumemos a uma única forma ou padrão de olhar, observar e conhecer a realidade. Como realizar a leitura de mundo em toda a sua diversidade? Como formar o aluno de forma a compreender o outro para além de si mesmo? 

A construção da identidade se dá com o amadurecimento de cada um. Somente conhecendo e convivendo com pessoas de todas as idades, de todos os jeitos de viver, de diferentes países e culturas, que falam línguas desconhecidas para nós é que melhoramos nossa forma de relacionamento com os outros.

Por que nos identificamos com algum personagem de filme ou de um livro e não com outros? Somos tocados por sentimentos e emoções,  porque nos colocamos no lugar dessas pessoas, nos identificamos com seus sofrimentos, momentos de luto, de dor ou de alegria, de amor.  

A tristeza de Jaci e seu esposo, em Yvy Porã Porau, é a história de muitos casais e famílias, vivendo em situação de pobreza, vendo a sua comunidade com dificuldades e sem esperança de dias melhores. Representa o “sonho” de muitas pessoas, de mais trabalho, fartura, alegria, de filhos, que representam o futuro, a felicidade. A superação das dificuldades da aldeia, por meio do compartilhamento das sobras de alimentos, da generosidade e cooperação, pode suscitar reflexões importantes entre os alunos, suas origens e diferentes modos de vida, contribuindo para a formação de sua identidade e seu processo de amadurecimento.

Importante dizer que o respeito às diferenças vai muito além do respeito a outras etnias e outras culturas. Falamos aqui do preconceito em relação a pessoas que fogem do padrão de beleza definido por uma sociedade, tais como gordas, magras, altas, baixas, feias, bonitas, tímidas... Falamos das questões de gênero e sexualidade, da luta das mulheres, dos homossexuais, dos surdos, dos cegos, dos idosos, das diferenças religiosas e políticas...

Por todas essas considerações, elencou-se o tema “autoconhecimento, sentimentos e emoções” como possível de ser desenvolvido com os alunos a partir desta obra. Mais adiante, as sugestões de atividades e os subsídios teóricos irão dar concretude a essa possibilidade.      

O trabalho com a leitura em sala de aula pode ser desenvolvido em três etapas de atividades com a obra literária: o antes, o durante e o depois da leitura, para as quais passamos a oferecer algumas orientações e sugestões. 

Várias habilidades são desenvolvidas pela leitura literária tais como as que aponta a BNCC ( p. 95):

(EF15LP15) Reconhecer que os textos literários fazem parte do mundo do imaginário e apresentam uma dimensão lúdica, de encantamento, valorizando-os, em sua diversidade cultural, como patrimônio artístico da humanidade.

(EF15LP16) Ler e compreender, em colaboração com os colegas e com a ajuda do professor e,mais tarde, de maneira autônoma, textos narrativos de maior porte como contos (populares, de fadas, acumulativos, de assombração etc.) e crônicas.

(EF15LP18) Relacionar texto com ilustrações e outros recursos gráficos.

(EF15LP19) Recontar oralmente, com e sem apoio de imagem, textos literários lidos pelo professor. 


CONVIDANDO OS ALUNOS À LEITURA DA OBRA

Você lembra de alguma história ou narrativa que leu ou escutou e que lhe tenha capturado de tal maneira que você não arredava o pé enquanto não chegasse até o final? Seria capaz de perceber qual ou quais emoções tomaram conta de sua mente, fazendo o corpo vibrar com as descobertas à medida que iam se revelando na contação ou na leitura daquela história? Ao longo da narrativa, a autora conseque o despertar dessas emoções. A história de Jaci e Rayra causam expectativa e suspense, inserindo o leitor cada vez mais no contexto de vida dos personagens.

A capacidade de nos colocarmos no lugar de um outro, de vivermos em outros locais e tempos remotos, de falarmos outras línguas, de sermos outras pessoas através dos personagens, de sentirmos medo e nos superarmos pela coragem, de sentirmos tristeza e nos superarmos por meio da esperança, de sentirmos raiva, mas nos superarmos na compaixão, faz a gente crescer, amadurecer... Crescemos com as experiências, quando vivemos coisas diferentes, quando nos relacionamos com pessoas que vivem outra realidade, em outro país, com outra cultura ou jeito de ser e de viver. 

Esta obra leva o leitor ao interior de uma aldeia indígena que está passando por grandes dificuldades para sobreviver, como  de fato acontece com muitas aldeias indígenas em todo país (p. 5):

(EM YVY RUXÃ’I) POUCO TINHAM, POUCO SABIAM, POUCO QUERIAM, MAS SONHAVAM À NOITE. ENQUANTO DORMIAM, ENXERGAVAM TUDO AQUILO QUE DURANTE O DIA SUA VISTA NÃO TERIA ALCANÇADO JAMAIS: AS VELHAS HISTÓRIAS DE SEUS AVÓS, DOS TEMPOS DE FARTURA E FELICIDADE. 

O ato de ler esta história poderá tornar o aluno curioso e sensível  acerca de novos conhecimentos relacionados ao tema da obra, ao mesmo tempo que poderá refletir sobre outras pessoas, outras comunidades, outros povos, de outras etnias ou lugares que podem estar vivendo no seu cotidiano a mesma dificuldade que os personagens da obra.  

Como acrescentar novos conhecimentos, principalmente quando se trata de trabalhar com outras etnias, outras culturas, como os povos indígenas que vivem realidades muito diferentes da vivida pela maioria dos estudantes?

Um dos principais passos a serem dados é ter o cuidado de não desconsiderar o que o estudante já possui de informação e conhecimento sobre o tema que ser quer introduzir. Assim, o professor deve oferecer oportunidades de o estudante manifestar seu interesse, curiosidade, apresentando aquilo que sabe, pensa e sente a respeito de temas como esse.

A atitude indagativa e de escuta do próprio professor irá ser decisiva para que as atividades possam ter caráter investigatório. Dessa forma, o ambiente de aprendizagem e abertura para o novo estará devidamente preparado, favorecendo que o estudante se aproprie melhor da obra. As conexões entre os questionamentos, vivências e relatos de experiências anteriores poderão encontrar eco no texto literário, para que se vá além deste, nas atividades posteriores à sua leitura. 

Na obra Yvy Porã Porau e o Rio de Mel, há um mistério que envolve toda a comunidade desde que Yvy Porã passou a se chamar Yvy Ruxã’i. Esse fato perpassa a vida de todas as pessoas de maneira decisiva para o seu futuro. Além disso, a própria troca do nome do povoado já remete a um enigma... Por que não havia mais crianças naquele povoado? (p. 13):

NÃO HAVIA MAIS CRIANÇAS HÁ MUITO TEMPO, DESDE QUE SE CONHECIA POR GENTE E QUE SUA ALDEIA SE CHAMAVA YVY RUXÃ'I. POR QUE HAVERIA DE TER CRIANÇAS? NENHUMA MULHER ENGRAVIDARA DESDE QUE AQUELE POVO SE ACREDITOU TÃO PEQUENO. POUCOS HAVERIAM DE SER. POUCOS ERAM, POUCO TINHAM, POUCO ALMEJAVAM. POR QUE MAIS?

É importante dizer que essa linguagem simbólica presente na história faz sentido em termos da cosmovisão e cosmologia dos povos originários do Brasil, assim como também de todos os povos do planeta quando em constante relação de escuta e diálogo com a natureza e seus ciclos. Uma sensibilidade que foi sendo apurada pelo homem ao perceber as razões dos movimentos dos seres, ao ler os remédios nas folhas das plantas, no crescer à sombra das árvores. Uma inteligência construída por milhares de anos, que nos levou a estudar, a nos relacionarmos com o meio ambiente, sentindo-nos parte dele. 

Dessa forma, em Yvy Porã Porau e o Rio de Mel, os fenômenos que poderíamos chamar de sobrenaturais, neste contexto, não o são, à medida que advêm de um diálogo íntimo com a natureza para resgatar a verdadeira identidade e a vida em Yvy Porã. 

Sendo a obra um todo único (história e ilustrações), abre uma pluralidade de leituras e de construções, a partir de uma abordagem subjetiva e o objetiva, indo do fictício ao real e do real ao fictício, um meio de o leitor projetar-se em mundos até então não existentes para ele. As ilustrações com seus tons, imagens e caracteres indígenas conversam e complementam o texto, indo de tons mais escuros, quando inicia a história, para ilustrações vibrantes e coloridas depois do sonho da Jaci. A imagem do velho índio com a aldeia que cabe em sua mão (de tão pequena), retrata a tristeza que abate o seu povo (p. 4-5). Ao longo da narrativa, as ilustrações acompanham a alegria da aldeia e se tornam mais claras, iluminadas de verde e amarelo (dourado, da cor do mel) para festejar a fartura e a amizade que ressurge entre as aldeias.

Explorar com os alunos essas “diferenças” simbólicas presentes na obra é papel do professor/mediador, evocando a sua atenção para a linguagem, para as representações dos personagens, como roupas, adereços, objetos, habitação. O uso das expressões indígenas e seus significados buscam enriquecer o cotidiano e os acontecimentos na vida dos personagens e aproximar o leitor de outros universos culturais, de expressões de outras línguas que passaram a fazer parte de nosso vocabulário, provocando nos alunos também a curiosidade de “traduzir” as expressões que lhes são desconhecidas, pela consulta ao glossário de expressões indígenas que aparece após a história. 

Para compor o cenário de Yvy Porã Porau, foram feitas várias pesquisas sobre as regiões onde habitavam esses povos, o que resultou, por exemplo, na escolha da flor cosmos por ela crescer em terras habitadas pela etnia Guarani. Descobriu-se que ela floresce em abundância em solos pobres, além de atrair muitas abelhas. Somente uma flor como essa poderia sobreviver em Yvy Ruxã’i, a “terra do bem pouquinho”! 

Também se descobriu que há muitas espécies de abelhas nativas no Brasil, Dentre elas, as chamadas “abelhas indígenas” ou abelhas sem ferrão, como as jataís que aparecem no livro e que fazem ninhos em ocos de árvores, ninhos em forma de cachos ou belíssimos ninhos subterrâneos. 

A abelha-jataí (Tetragonisca angustula) faz parte do grupo de abelhas indígenas sem ferrão, por possuir o ferrão atrofiado. A maioria das abelhas-jataí se alimenta de produtos obtidos nas flores, sobretudo o pólen na fase adulta. Além de produzir o mel, que é considerado um dos alimentos mais ricos em antibacterianos, as abelhas são fundamentais para a polinização.


SUGESTÕES DE ATIVIDADES COM OS ALUNOS

Atividades de pré-leitura

O momento inicial (pré-leitura) consiste num convite, numa mobilização dos alunos para a leitura, e pode ocorrer antes mesmo de os alunos conhecerem o livro, quando são realizadas brincadeiras ou perguntas pelo professor a partir de um contexto fictício relacionado à história ou parte da história, que desperte nas crianças interesse e curiosidade sobre a obra literária, mesmo antes de ela lhes ser apresentada. 

Mergulhar ludicamente no ambiente ficcional a ser proposto pelo livro transpõe a criança para uma representação simbólica do real, predispondo-a à leitura. Considerando que ler é também brincar, principalmente nos anos iniciais, nesse primeiro momento, sugerimos atividades lúdicas que procurem sensibilizar o aluno para a leitura, criando, por exemplo, atividades em pequenos grupos ou com toda a turma de forma a promover a descontração, a interação e a atenção de todos para a leitura.

Sugestão de Atividade 1

Coleção de palavras e objetos que têm por origem os povos indígenas: 

– Para melhor inserir os leitores no ambiente cultural em que a história se passa, a autora lançou mão de um recurso poético ao utilizar expressões do vocabulário Guarani e de origem Tupi-Guarani em uma narrativa em Língua Portuguesa. O uso das expressões indígenas e seus significados buscam enriquecer o cotidiano e os acontecimentos na vida dos personagens e aproximar o leitor de outros universos culturais. Muitas dessas expressões já foram incorporadas à Língua Portuguesa, consolidando a herança linguística indígena neste solo em que pisamos.

– Antes de apresentar a obra, sugere-se solicitar aos alunos uma busca de palavras e objetos que possuem origem indígena. Palavras que nomeiem rios, ruas, animais, alimentos, frutas, plantas, ervas, bebidas, nomes de pessoas, etc. Objetos, de uso comum, tais como adornos, brinquedos, utensílios de culinária, etc. Ele poderá  contar com o apoio dos familiares, da comunidade, da Internet, de pessoas de origem indígena e outros recursos. Poderá colecionar, desenhar ou fotografar objetos, recortar palavras de revistas ou escrevê-las em pedaços de papel.

– Exemplos de palavras de origem indígena: Guarulhos, Caçapava, Taubaté, Paraíba, caiçara, Guararema, Sapucaí, siri, arara, sabiá, maracanã, jiboia, gambá, cupim, jacaré, abacaxi, pitanga, tapioca, carioca, paçoca, Goiás, Copacabana, Itapuã, Parintintins, Itaúna, Purus.

– A professora poderá dispor um cesto de origem indígena (ajaka) para que os alunos, em roda, depositem suas descobertas no cesto, conversando com os colegas sobre o que trouxeram. Em pequenos grupos, poderão formar um pequeno glossário de termos, à semelhança do existente na obra. 

Sugestão de Atividade 2

Em roda, perguntar aos alunos sobre o que sabem a respeito de seus ancestrais (avós, bisavós, tataravós). 

– Qual o nome deles? De onde vieram? Nasceram no Brasil? Que ensinamentos ou costumes deixaram para suas famílias? Que língua falavam? Algum aluno tem descendência indígena? Ou é afrodescendente? Origem alemã? Italiana? Outra? Que história eles têm para contar sobre a origem de sua família? Poderiam trazer fotos de seus ancestrais, de onde moravam e/ou como viviam? 

– Montar, como auxílio dos familiares mais próximos, uma árvore genealógica, desde os seus bisavós, usando fotos ou desenhos, e apresentá-las aos colegas.

– Logo após essa conversa, em pequenos grupos, pedir que escrevam o que sabem sobre os povos indígenas em uma folha de papel. Como é o seu modo de vida, habitação, vestimentas, alimentos, costumes? As respostas podem ser compartilhadas com todos os colegas e formar um painel.  

Sugestão de Atividade 3

Visitar uma aldeia indígena próxima (existente em muitas regiões do país) ou assistir a um vídeo sobre a vida dos povos indígenas no Brasil. Preparar as crianças para essa atividade, falando do respeito que devemos ter para com os povos indígenas.

– Logo após, as crianças irão relatar ou escrever individualmente a respeito de suas descobertas, seus sentimentos a respeito do que observaram, compartilhando depois com o grupo. 

Papel do Professor

– Estar atento aos comentários das crianças em todas as atividades, mediando  o diálogo, evitando comentários desrespeitosos em relação a fatos, objetos, palavras ou histórias narradas às crianças e pelas crianças. 

– Acessar, antes dos alunos, textos, vídeos, informativos sobre os povos indígenas para estar preparado para enriquecer ou complementar a conversa  a respeito.  

 

ATIVIDADES DURANTE A LEITURA

A leitura da obra literária é um momento muito importante na escola. Nessa fase, a obra é primeiramente apresentada ao leitor por intermédio do professor. Esse incita os alunos a manuseá-la e apreciá-la para, então, ingressar na leitura, quando terá a oportunidade de conversar com eles sobre suas ideias durante as atividades de pré-leitura, validando-as ou não.

– O professor deverá mostrar o livro e ler junto com as crianças o título da obra, nome de autores e ilustradores, da editora, o ano de publicação do livro, a biografia de autores e ilustradores, se houver, bem como comentar outras características da obra para melhor conhecimento pelas crianças da obra que irão ler.

– Então, em roda, em pequenos grupos ou individualmente, crianças com o livro em mãos (quando houver essa disponibilidade), o professor irá realizar a leitura para elas. Se não houver livros para todas, o professor irá folhear o livro, e ler o texto pausadamente, com as ilustrações sendo apresentadas uma a uma.

– Salientamos que uma primeira leitura pelo professor é muito importante nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, pois os recursos linguístico-literários são intensificados pela oralização. A audição da obra, com ênfases, pausas, ritmos e indagações envolve ludicamente a criança, facilitando sua iniciação literária. Para isso, o professor deverá ler e treinar sua leitura antes de fazê-la com as crianças, “principalmente para ler corretamente as expressões do vocabulário indígena” e transmitir a emotividade da narrativa. 

Algumas orientações para a leitura em voz alta

–  Mudar a voz e ritmo da leitura para enfatizar momentos cruciais da história ou para “imitar” a voz dos personagens. 

–  Convidar as crianças a lerem/repetirem as expressões do vocabulário indígena.

– Fazer perguntas durante leitura da história, tais como: o que está acontecendo agora? Quem está narrando esta história? Quem está fazendo esta pergunta? O que vocês acham que vai acontecer agora? O que significa “terra do bem pouquinho”? 

– Ler pausadamente cada página, mostrando, comentando, perguntando sobre as imagens e as referências com o texto.

– Traduzir as expressões indígenas com uso do glossário presente na obra ou solicitar a ajuda de alunos para acompanhar o glossário e traduzir para os colegas. Perguntar se alguém já conhecia alguma dessas palavras ou se conhece outras.

– Manter uma postura descontraída nesse momento, oportunizando aos leitores fazerem comentários pessoais, perguntarem sobre a história e as imagens, tecendo opiniões sobre a leitura. Ouvir os alunos é uma atividade que, por vezes, toma tempo, mas é a melhor maneira de o professor desencadear processos de reflexão das crianças sobre o texto e para o cruzamento dessas referências com o seu próprio mundo. 

– Oportunizar momentos de leitura em grupos ou individual pelos alunos a seguir da leitura do professor. No caso de não haver exemplares da obra para distribuir para todas as crianças, planejar para que levem para casa, em dias alternados, para leitura com a família e melhor apreciação da obra. 

Curiosidades sobre a obra

– Uma série de fatos foram pesquisados pela autora e pelo ilustrador  para a produção da obra que podem ser explorados pelo professor na leitura a partir da leitura dos subsídios e orientações presentes neste Manual. As vestimentas, as abelhas, a flor cosmos, os desenhos, a feição e aparência dos personagens tem por referência a região onde vivem os povos Tupi e Tupi-Guarani no Rio Grande do Sul. 

– No Brasil, existem muitos e diferentes povos indígenas. Seus costumes, hábitos, vestimentas, língua são diferentes. É muito importante o professor não fazer “generalizações” com os alunos ou falar de diferentes povos sem antes estudar seus costumes.  

– O Glossário de termos: “Falando a língua de Yvy Porã Porau”– foi revisada por estudiosos da língua dos povos Tupi e Tupi-Guarani.

– Ilustrações bem elaboradas têm potencial para desenvolver nos leitores a consciência a respeito dos traços, das cores, do espaço e das formas e da composição da obra. Neste livro, as ilustrações vão de tons mais escuros, sombrios, a tons mais vibrantes e claros, acompanhando o desenrolar da narrativa. 

– A ilustração das páginas 16 e 17 sugere o trabalho em conjunto das abelhas para a produção do mel, sugerindo a ação solidária que o povo de Yvy Porã precisará realizar para sobreviver. O ilustrador utilizou técnica computadorizada de colagem digital e pintura em aquarela para ilustrar a página. 


ATIVIDADES DE PÓS-LEITURA

As atividades de pós-leitura apresentam-se como incentivo para o aluno expressar-se por meio de diferentes linguagens, para criar novos textos, significados, sentimentos e emoções a partir da “apropriação” das ideias da obra lida, ativando sua capacidade imaginativa. 

Criando em cima daquilo que compreendeu e interpretou, ele se torna mais propício a assimilar significados próprios do texto lido. É do mundo do texto que a criança vem a se apropriar, porém de maneira particular, ou seja, de acordo com a relação que estabelece com o seu próprio mundo. Ela tem, então, a oportunidade de refletir e organizar seus pensamentos, valores e atitudes, numa descoberta de si própria.

Conforme sugere a BNCC (p. 397-398) “diferentes formas de percepção e interação com um mesmo objeto podem favorecer uma melhor compreensão da história”, premissa essa que consideramos interessante em termos da cultura dos povos indígenas. 

Considera-se, assim, interessante a referência da BNCC quanto aos processos de pensamento envolvidos na interação dos alunos com fatos históricos, a saber, a identificação do objeto de estudo, a comparação, a contextualização, a interpretação e a análise: 

"A comparação em história faz ver melhor o outro. Se o tema for, por exemplo, pintura corporal, a comparação entre pinturas de povos indígenas originários e de populações urbanas pode ser bastante esclarecedora quanto ao funcionamento das diferentes sociedades. Indagações sobre, por exemplo, as origens das tintas utilizadas, os instrumentos para a realização da pintura e o tempo de duração dos desenhos no corpo esclarecem sobre os deslocamentos necessários para a obtenção de tinta, as classificações sociais sugeridas pelos desenhos ou, ainda, a natureza da comunicação contida no desenho corporal. (...) 

A contextualização é uma tarefa imprescindível para o conhecimento histórico. Com base em níveis variados de exigência, das operações mais simples às mais elaboradas, os alunos devem ser instigados a aprender a contextualizar. Saber localizar momentos e lugares específicos de um evento, de um discurso ou de um registro das atividades humanas é tarefa fundamental para evitar atribuição de sentidos e significados não condizentes com uma determinada época, grupo social, comunidade ou território. (...) Ela estimula a percepção de que povos e sociedades, em tempos e espaços diferentes, não são tributários dos mesmos valores e princípios da atualidade. (...)

O exercício da interpretação – de um texto, de um objeto, de uma obra literária, artística ou de um mito – é fundamental na formação do pensamento crítico. Exige observação e conhecimento da estrutura do objeto de das suas relações com modelos e formas (semelhantes ou diferentes) inseridas no tempo e no espaço. Interpretações variadas sobre um mesmo objeto tornam mais clara, explícita, a relação sujeito/objeto e, ao mesmo tempo, estimulam a identificação das hipóteses levantadas e dos argumentos selecionados para a comprovação das diferentes proposições. (...)

A análise é uma habilidade bastante complexa porque pressupõe problematizar a própria escrita da história e considerar que, apesar do esforço de organização e de busca de sentido, trata-se de uma atividade em que algo sempre escapa. Segundo Hannah Arendt, trata-se de um saber lidar com o mundo, fruto de um processo iniciado ao nascer e que só se completa com a morte. Nesse sentido, ele é impossível de ser concluído e incapaz de produzir resultados finais, exigindo do sujeito uma compreensão estética e, principalmente, ética do objeto em questão." 

Nesse contexto, um dos importantes objetivos de História no Ensino Fundamental é estimular a autonomia de pensamento e a capacidade de reconhecer que os indivíduos agem de acordo com a época e o lugar nos quais vivem, de forma a preservar ou transformar seus hábitos e condutas. A percepção de que existe uma grande diversidade de sujeitos e histórias estimula o pensamento crítico, a autonomia e a formação para a cidadania. (...)

Esses pressupostos podem servir de orientação ao professor no planejamento de atividades de pós-leitura da obra Yvy Porã Porau, conforme algumas sugestões de atividades que serão apresentadas a seguir.

Sugestão de atividades de comparação e contextualização

– Os alunos em pequenos grupos ou individualmente irão procurar trechos da obra que se referem a Yvy Ruxã’i, terra do bem pouquinho, e de Yvy Porã Porau, terra da boa generosidade. Por exemplo, a partir do texto da página 35 do livro, perguntar sobre o que eles estavam celebrando:

POR VÁRIAS MADRUGADAS, AGRADECIAM COM NHE'ÃE E MBORAEI TOCANDO MIMBI, MBARAKÁS, VIOLÃO E RAVES, ENTOANDO MÚSICAS DE CELEBRAÇÃO À EKO E À PORAU.

– Comparar o modo de vida dos povos indígenas há 500 anos e o modo de vida desses povos hoje. Houve mudanças? Quais foram? Sugere-se, como como atividade desencadeadora, assistir o DVD “Índios no Brasil – nossas línguas” (Índios no Brasil - nossas línguas. Disponível em: <https:// tvescola.org.br/tve/video/indios-no-brasil-nossa-linguas > Acesso em: abr. 2018.)


Sinopse: no desenrolar dos anos após o descobrimento do Brasil, em 1500, missões religiosas e ações governamentais praticaram uma forte repressão sobre os povos indígenas, prejudicando as práticas culturais nas aldeias e até mesmo proibindo a língua nativa. Mesmo assim, atualmente 180 línguas ainda são faladas no país por mais de 200 etnias que resistiram ao preconceito e opressão. Neste episódio, debatem o tema índios das tribos Pankararu (PE), Baniwa (AM), Baré (AM), Tariano (AM) e Kaingang (SC). 


O vídeo é interessante porque aparecem índios de várias tribos, com costumes, vestimentas, pinturas, línguas diferentes, mostrando a diversidade desses povos. Várias atividades podem ser desencadeadas junto às crianças. Exemplos:

– Contextualizar a história de Yvy Porã: onde se passa? É real ou fictícia?

Como vivem as tribos Tupi e Tupi-Guarani? Como os índios estão caracterizados nas imagens da obra?

– A vida de outros imigrantes que chegaram ao Brasil há 500 anos sofreu mudanças? Os alunos podem fazer entrevistas com idosos de outras origens, buscar fotos antigas, ir a museus, ler livros referentes.

Sugestão de atividades de interpretação e análise

– Propor aos alunos buscar imagens, filmes, reportagens atuais sobre os índios brasileiros em revistas e/ou na Internet. Propor a reflexão: a história de Yvy Porã Porau se assemelha a fatos dessas notícias ou à vida dos índios brasileiros na atualidade? 

– Perguntar aos alunos: o que aconteceu com os índios no Brasil aconteceu com outros povos e/ou em outros países? Que outras pessoas sofrem com falta de alimento como os índios de Yvy Porã? Você conhece histórias de generosidade, solidariedade, distribuição de alimentos a pessoas com dificuldades? 

– Em pequenos grupos, os alunos poderão escrever uma reportagem fictícia sobre uma história de solidariedade e generosidade com pessoas, cidades, ou países em dificuldade.

– Realizar uma visita, se possível, a uma tribo existente nas proximidades da cidade onde se situa a escola. Ou convidar uma pessoa da tribo para conversar com as crianças. 

– Silione, Gomes e Ferreira (2012, p. 172-173) sugerem a leitura do livro “Meu vô Apolinário”, de Daniel Munduruku, de forma a contribuir para auxiliar os alunos a também resgatarem sua ancestralidade como forma de se sentirem pertencentes a uma cultura de tradição milenar, a um povo, a toda uma história que vem sendo construída muito antes de eles nascerem. Com isso, passarão a ter um maior comprometimento com a sua própria história e a também a um maior respeito pela trajetória do outro, tornando a sala de aula um ambiente propício para a convivência entre as diferentes culturas, valorizando a forma como cada uma foi constituída:

Daniel Munduruku, autor do livro “Meu vô Apolinário”, faz um convite aos leitores a compartilharem um pouco de sua biografia e da história de seu povo. Ao longo do texto, enfatiza o papel que teve o seu avô na compreensão e valorização de toda a sabedoria decorrente de seus ancestrais. Essa sabedoria o auxiliou a aceitar-se como índio, já que as constantes ofensas que recebera na infância, quando morava na cidade, remetia ao significado de índio atrasado, selvagem e preguiçoso, características que não lhe cabiam por sempre ter conciliado estudo e trabalho para ajudar no sustento da família. Devido ao preconceito e à discriminação, ele tinha raiva de ser chamado de índio.

Foi seu avô, o sábio Apolinário que, ao convidá-lo para tomar banho no rio, lhe guiou até uma pedra para observar e escutar o rio. Foi então que começou a entrar em contato com suas raízes. Num primeiro momento, por ter utilizado os “ouvidos racionais”, Munduruku não compreendeu esses ensinamentos, mas, após conversar com seu avô, começou a entender a sabedoria do rio e os ensinamentos que ele traz: “Assim como o rio, devemos ter sempre paciência de seguir o próprio caminho de forma constante, sem nunca apressar seu curso e perseverança para ultrapassar todos os obstáculos que surgirem no caminho. O rio sabe aonde quer chegar e sabe que vai chegar, não importando o que tenha que fazer para isso” (2001, p.31). Após essa aprendizagem, guiada por seu avô, Munduruku assumiu sua identidade indígena adquirindo a sabedoria necessária para perceber-se como um sucessor, um fio de uma história maior, a história de seus ancestrais. Percebemos, com essa passagem, a forte presença da natureza como um ser vivo que influencia nas decisões do povo Munduruku e a importância do silêncio para que ocorra a reflexão.

– Após a leitura do livro, cada aluno irá produzir a sua história que poderá ser narrada e ilustrada com desenhos e/ou fotos, representando suas origens. Ao apresentar sua história aos colegas, poderá trazer objetos, músicas, doces e outros elementos representativos da cultura de seus ancestrais. 

– Assistir a filmes, vídeos da TV, do Youtube e outros veículos, ler reportagens de revistas, e conversar com as crianças: os povos indígenas, e outros povos que formaram a cultura brasileira estão sendo respeitados em sua cultura, língua, costumes, etc.? Há solidariedade do povo brasileiro em relação a esses povos? Que ações poderiam ser feitas pelas crianças e pela comunidade escolar nesse sentido?

É importante ressaltar que tanto as obras literárias, quanto os recursos selecionados nas atividades de pré-leitura, leitura e pós-leitura devem obedecer a uma criteriosa seleção pelo professor. Trazemos neste Manual várias sugestões, mas cada uma delas deve ser analisada no sentido de ser ou não adequada à turma de alunos com a qual se irá apresentar esta obra e propícia ou não ao desenvolvimento da sua imaginação, principalmente pela escuta dos interesses e significados construídos por eles a partir da exploração da obra. 

– Produzir, em grupo, uma notícia (em vídeo, reportagem escrita, com fotos e/ou desenhos) sobre povos indígenas no Brasil que contenha fatos verdadeiros e positivos acontecidos, a partir de notícias não preconceituosas e de pesquisas em documentários sérios (jornais, revistas, livros, filmes, Internet). Constituir um “documentário” ou montar um “jornal” com todas as reportagens dos grupos e apresentar aos colegas, à escola e à comunidade.

Sugestão de atividades interdisciplinares

A partir da apreciação das imagens e das cores, apreciação estética das ilustrações da obra, pesquisar sobre pinturas, grafismos indígenas e o artesanato indígena, presentes de muitas formas no visual do brasileiro.

O modo de aprender da criança indígena é a observação, acompanhando os mais velhos na lida do dia a dia e participando dos eventos diários seja na confecção de utensílios de barro, cestaria, pinturas corporais, na confecção de ferramentas e instrumentos de caça e pesca. 

Encontramos várias diferenças e características próprias na sua expressão nas distintas etnias dos povos originários, dependendo da sua história, interação com a natureza e seus meios, e principalmente a necessidade de criação de determinado objeto ou expressão, o que relaciona-se intrinsecamente com a cosmovisão de cada povo. 

Assim os objetos, os grafismos, os mitos de origem, as histórias, cantos e danças, a expressão da espiritualidade, dentre outros, emergiram da identidade constitutiva de cada povo e, portanto,  são elementos sagrados da mais extrema importância. Hoje muitas aldeias produzem arte, como utensílios de cestaria, bijuterias, esculturas, etc., para fins de venda à sociedade não indígena. Produzir arte para a subsistência é um fato novo devido à condição de desapropriação de suas terras de origem e, dessa forma, toda uma gama natural de alimento e moradia, das quais a imensa maioria dos povos originários foi apartada nos últimos quinhentos anos. Sugere-se, a partir daí:

– Ler com as crianças o texto: “O conceito de arte e os índios”.

– As crianças poderão, então, reproduzir grafismos, criar cestarias, confeccionar utensílios de barro, ferramentas e outros objetos com o auxílio dos professores de arte, pesquisando sobre a arte de diferentes tribos, seus costumes e sua arte.

– Reproduzir as brincadeiras dos Panará e dos Guarani. 

Entre as crianças panará, folhas viram hélices de avião; um galão d’água cortado ao meio vira um carrinho; os galhos de mamoeiro se transformam em espingardinha de pressão; e até o fruto do tucum pode virar um peão. Mas existem muitos outros tipos de brincadeira: a brincadeira do macaco, da onça, da queixada e até do peixe tucunaré. Essas remontam a um tempo antigo em que os bichos eram gente e ensinaram muitas coisas aos Panará. O corpo e a força são acordados com as negras pinturas do jenipapo. A tora, a longa distância e o sol que arde, são a combinação necessária para esse desafio de meninos na Aldeia Nãsêpotiti, de índios Panará. Por fim, a água, o rio, onde toda brincadeira termina. Com crianças Panará da Aldeia Nãsêpotiti – PA. Sugere-se também levar as crianças a conhecer e experimentar as brincadeiras das crianças Guarani pelo documentário produzido pelos jovens da Aldeia Piraí, no município Guaramirim, SC, durante as oficinas do Projeto Indígena Digital.

– Ouvir, tocar e cantar músicas indígenas originais. 

QUANDO À NOITE AS CRIANÇAS DORMIAM, OS ADULTOS JUNTAVAM-SE NA PRAÇA PRINCIPAL DA EKOA PARA CELEBRAR IBAQUE, O GRANDE ESPAÇO ILIMITADO E INDEFINIDO ONDE SE MOVE A VIDA DO UNIVERSO. 

POR VÁRIAS MADRUGADAS AGRADECIAM COM NHE’ E MBORAEI TOCANDO MIMBI, MBARAKÁS, VIOLÃO E RAVES, ENTOANDO MÚSICAS DE CELEBRAÇÃO À EKO E À PORAU. (p. 35)

A importância dos cânticos na cultura do povo Guarani está presente neste trecho da obra Yvy Porã Porau. 

Os índios Guarani contam que as crianças são puras e seu Deus, Nosso Pai Nhanderu, envia esses cantos diretamente a elas. O CD “Ñande Reko Arandu (2000)/ Memória Viva Guarani” resgata a cultura do povo Guarani com o cântico das crianças evocando o espírito ancestral em cada um de nós e deixando clara a importância dos cânticos em cada situação de nossa existência. 

As músicas são cantadas por grupos de crianças de quatro aldeias Guarani: Sapucai, na cidade de Angra dos Reis; Rio Silveira, em São Sebastião; Morro da Saudade, na cidade de São Paulo e Jaexaá Porã, em Ubatuba. As gravações foram realizadas na aldeia Jaexaá Porã. Todas as músicas têm por tema a espiritualidade. 

A partir da audição/apreciação de músicas indígenas de diferentes povos indígenas, as crianças poderão produzir/reproduzir canções, utilizando instrumentos, ritmos e letras indígenas. 

– Explorar temas sobre escassez/abundância de alimentos; cultivo de alimentos, experiências com germinação, a importância das abelhas, o alimento mel. 

Durante a leitura do livro pode-se observar a menção a determinados temas relacionados à agricultura indígena, escassez e abundância de alimentos, entre outros. Na obra, esses temas são expressos nos movimentos da natureza e dos seres humanos, que lidam com a falta de recursos e, ao final, na abundância deles, suscitando as trocas e as relações de reciprocidade em comunidade. Alguns assuntos podem investigados pelos alunos a partir daí:

– Experimentos com germinação: quais os cuidados necessários para a que as sementes germinem, as árvores cresçam?

– O alimento mel: como é produzido, valor nutritivo, como consumir, etc?

– O tema da fertilidade da terra, adubos orgânicos, tipos de solos, húmus…

– As abelhas nativas, as também chamadas abelhas indígenas (há muitas espécies de abelhas nativas no Brasil, as chamadas “abelhas indígenas” ou abelhas sem ferrão, como as jataís, que fazem ninhos em ocos de árvores, em forma de cachos ou belíssimos ninhos subterrâneos.

ORIENTAÇÃO AOS EDUCADORES

É importante ressaltar que as atividades aqui sugeridas, as leituras e os recursos elencados devem obedecer a uma criteriosa seleção pelos professores, apresentando-se adequadas aos alunos de 4º e 5º anos e propícias ao desenvolvimento da sua imaginação, principalmente pela escuta dos interesses e significados construídos por eles a partir da exploração da obra. Os temas centrais são complexos e exigem a mediação do professor para o desencadeamento das propostas pedagógicas adequadas aos alunos. 

Desejamos a todos uma ótima leitura!


SUGESTÃO DE MATERIAIS COMPLEMENTARES

AMARAL, Graciele de Fátima. A literatura dos povos indígenas: uma análise de obras literárias na escola. Disponível em: < http://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2017/26893_13367.pdf>. Acesso em: abr. 2018.

Abelha-jataí é polinizadora de flores e produz mel rico em antibacterianos. Disponível em: < http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/fauna/noticia/2017/01/abelha-jatai-e-polinizadora-de-flores-e-produz-mel-rico-em-antibacterianos.html>. Acesso em: abr. 2018. 

Ângela Hofmann. Disponível em: <http://angelahofmann.blogspot.com.br/>. Acesso em: mai. 2018.

Brincadeira das crianças guarani | Indigena Digital. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=9IUXC4753aE>. Acesso em: mai. 2018.

Canto Guarani. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=AxDr1PFhtZc >. Acesso em: mai. 2018.

Dane D’Angeli. Disponível em: <https://issuu.com/danieldangeli/docs/portfolio_2014>. Acesso em: mai. 2018.

Documentário: O Povo Brasileiro - Capítulo 04/10 [completo]. Disponível em: < https://www. youtube.com/watch?v=Z3IpLr6enk8&t=55s>. Acesso em: abr. 2018.

Índios no Brasil - nossas línguas. Disponível em: <https://tvescola.org.br/tve/video/indios-no-brasil-nossa-linguas>. Acesso em: abr. 2018.

Índios no Brasil - quem são. Disponível em: <http://www.funai.gov.br/index.php/indios-no-brasil/quem-sao>. Acesso em: abr. 2018.

Ñande Reko Arandu - (2000) Memória Viva Guarani . Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=l469uaunv6A>. Acesso em: mai. 2018.

O conceito de arte e os índios. Disponível em: < https://pib.socioambiental.org/pt/Artes>. Acesso em: abr. 2018.

Projeto Território do Brincar - 3º Região - Território Indígena Panará, Pará - Brincadeiras pelo Brasil. Disponível em: <http://territoriodobrincar.com.br/brincadeiras-pelo-brasil/>. Acesso em: mai. 2018.


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