Alfabetização e Letramento

20%
Alta resolução +
De R$ 52,00 por R$ 41,60

Alfabeletrar

fundamentos e práticas

Maria Isabel H. Dalla Zen e Maria Luisa M. Xavier (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-128-0
ed. 176 p.
Um grupo de educadoras experientes em cursos de formação de professores e prática de ensino nos anos iniciais traz importantes contribuições teóricas e metodológicas referentes a processos de alfabetização e letramento no Ensino Fundamental de nove anos: a questão dos métodos; a organização de um ambiente alfabetizador lúdico e adequado a essa faixa etária; os cuidados na aprendizagem da leitura e da escrita em continuidade à alfabetização; os gêneros textuais a adotar nos anos iniciais; a alfabetização matemática; a formação de alfabetizadores, entre outros temas. Seus textos incluem sugestões de atividades e práticas coerentes aos aspectos teóricos apresentados.
  • Sumário
    Apresentação
    Maria Isabel H. Dalla Zen
    Maria Luisa M. Xavier


    Não há como alfabetizar sem método
    Iole Faviero Trindade
    Novas provocações
    Provocações finais

    A produção de sujeitos alfabetizados
    Leni Vieira Dornelles
    História do dia de chuva: “o pão do Adilson”
    A visita do João

    “Gosto de cruzar os braços”: as representações culturais construídas pelas crianças
    Clarice Salete Traversini
    Cristiane Müller

    O que ver nas informações obtidas?
    A escolarização da alfabetização
    A alfabetização e a matemática
    O que fazer com as representações dos alunos?

    Brincando com as palavras e com os livros na escolarização inicial
    Gládis Elise da S. Kaercher
    Sobre as práticas de leitura na escola
    Sobre as palavras e os pequenos leitores
    Pistas para além dos livros: outros portadores
    As palavras no silêncio
    As palavras são múltiplas
    Os sentidos “nas” palavras
    Os sentidos “das” palavras
    As palavras podem ser lidas: a gênese da leitura

    Sobre um ambiente alfabetizador
    Marta Nörnberg
    Suzana Moreira Pacheco

    A perspectiva do estético e do linguístico
    no ambiente alfabetizador
    Das relações de cuidado nos processos de
    ensino e aprendizagem da leitura e da escrita

    “Eles já estão alfabetizados”: dando continuidade ao processo
    Maria Isabel H. Dalla Zen
    Produção textual: uma revisão de percurso
    O que se pode fazer para que as crianças avancem no processo de escrita, “vencida” a etapa inicial de alfabetização?
    Que sol é esse? Uma forma diferente
    e compartilhada de correção
    Reescrita coletiva de textos já conhecidos
    Projetos de escrita para interlocutores reais
    Quando e como ensinar aspectos da escrita convencional?
    Deduzindo o princípio gerativo e formulando regras
    Esta palavra não existe, mas eu sei escrever!
    Porta mágica de palavras
    De que modo ler esses “primeiros textos”?
    Na busca de olhares sensíveis e de intervenções possíveis

    Gêneros textuais nos anos iniciais
    Rosa Maria Hessel Silveira
    Rafaela Fetzner Drey

    Gêneros textuais e discussões curriculares
    O uso da linguagem em sala de aula
    A escrita na escola
    Os gêneros de texto no trabalho com a linguagem
    Os critérios de seleção de gêneros
    O modelo de sequência didática
    Outras possibilidades de abordagem e alguns alertas
    Encerrando a conversa

    O significado das representações
    gráficas na alfabetização

    Denise Maria Comerlato
    Sobre a escrita
    A escrita: irredutível a um código
    A segmentação gráfica
    A escrita como objeto conceitual
    Considerações finais

    Os processos de numeralização na alfabetização
    Sandra dos Santos Andrade

    O Ensino fundamental de nove anos
    Maria Beatriz G. da Silva
    O percurso da mudança legal
    As normas e a autonomia da escola
    Os novos e velhos dilemas
    Outras considerações para pensar a mudança

     
  • Trecho
    Sobre as práticas de leitura na escola
    (Texto extraído do Cap. 4)

    Algumas práticas de leitura e algumas atividades de interpretação de leitura parecem estar cristalizadas em nosso imaginário docente: a hora do conto, os fichamentos de leitura, as dramatizações das histórias, os desenhos sobre as passagens de texto mais instigantes, os júris simulados e outras mais parecem ser os únicos modos possíveis de formarmos leitores. Não pretendo questionar a validade destas ações ou dizer que elas são inadequadas. O que gostaria de problematizar é a crença de que tais ações “surtem”, de fato, os efeitos desejados.
    Ou seja, quem de nós compreendeu melhor Dom Casmurro por ter participado do júri simulado defendendo” ou “acusando” Capitu de traição? No meu caso, o livro foi indicado para fichamento na 6ª série do então primeiro grau, para crianças com média etária de 12 anos (salvo o meu caso, que fui vitimada por este castigo com 10 anos).
    Esta parecia ser uma prática de leitura legítima (sugerir a leitura e fichamento de um clássico da literatura brasileira) e pertinente para formar leitores. Hoje, após as contribuições de Emília Ferreiro, sobre a gênese da leitura, após tantos outros estudos sobre a formação de leitores (Cramer, 2001; Colomer, 2003) torna-se quase risível lembrar dessas atividades. Todavia, não podemos pensar as práticas de leitura deslocadas de seu contexto. Elas são construções culturais que se interligam a fatores tão diversos quanto a noção de infância, o entendimento do que seja a formação de um leitor, a compreensão do que se deve ou não ensinar, nesta ou naquela série, a imagem que se tem do que venha a ser uma boa professora de português, etc. Portanto, a validade de uma prática de leitura só pode ser pensada se atentarmos para as especificidades do aluno com o qual estamos trabalhando. Cada grupo, em cada série (ou ciclo), com a sua experiência específica de leitura, necessita de avaliação e análise quando pensamos as ações pedagógicas possíveis para estimulá-lo e conduzi-lo ao patamar de leitores proficientes e felizes. Sim, porque o que precisamos considerar é que a eficiência na leitura (traduzida pela capacidade de compreensão e articulação das informações contidas em um texto e a inserção destas em uma rede de significações e informações mais ampla) só tem sentido se for atingida com uma conquista igualmente relevante: a formação de sujeitos capazes de ver na leitura um ato de prazer, de encantamento, de ludicidade.

Sugestões de outros títulos:

carregando...