Componentes Curriculares

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Educação matemática

fundamentos teórico-práticos para professores dos anos iniciais

Anastácia Maldaner
ISBN: 978-85-7706-061-0
ed. 176 p.
O livro é leitura referencial em termos da formação básica de professores do Ensino Fundamental, apresentando pressupostos teórico-práticos essenciais ao ensino da Matemática nos anos iniciais. A autora, com longa experiência docente com crianças e atuando na formação de professores, sugere uma pedagogia problematizadora para uma efetiva compreensão do sistema de numeração decimal pelos alunos, oferecendo orientações e exemplos esclarecedores a respeito.
  • Sumário
    Introdução

    Discutindo o problema
    Um rápido olhar sobre a realidade educacional do Brasil
    A matemática como a principal responsável pela alta taxa de reprovação

    Alicerces teóricos para a construção da autonomia
    Piaget e o desenvolvimento da autonomia
    Freire e a consciência do homem como sujeito
    Vygotsky e o lugar da mediação na constituição do sujeito
    A emancipação do homem pelo viés da Teoria da Ação Comunicativa
    A autonomia no contexto escolar
    A autonomia e o ensino da matemática

    A construção dos números e dos conceitos matemáticos sob o ponto de vista histórico
    Situando a origem do número
    A evolução do conceito de número na história
    A constituição da escrita numérica e a formação do sistema decimal
    Contagem e medida: dois aspectos da formação do número na história

    O processo cognitivo na apropriação do conceito de número
    Piaget e o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático
    A construção da ideia de número
    Importância das emoções no desenvolvimento cognitivo
    A interação como ponto de convergência de teorias atuais

    A problematização como um caminho para a reconstrução dos conceitos numéricos
    A importância da problematização na construção dos conceitos
    A problematização do cálculo aritmético
    A importância das atividades de grupo no processo da problematização
    A problematização e a formação dos professores

    O aprendizado do sistema de numeração e sua implicação nos cálculos
    O sistema de numeração decimal e posicional (SNDP)
    Implicações didáticas da apropriação do SNDP
    Entre a escrita numérica e os cálculos aritméticos

    A compreensão dos conceitos aritméticos e a resolução de problemas
    A adição
    A multiplicação
    A subtração
    A divisão

    A exploração do espaço e a reconstrução dos conceitos da geometria

    A avaliação numa pedagogia problematizadora

    Considerações finais
  • Trecho
    Introdução
    Enquanto a Lei de Diretrizes e Bases enfatiza a cidadania como uma das metas a serem alcançadas por meio do ensino, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) apontam para a autonomia como uma das categorias constituintes na formação do cidadão. Assim, coloca-se para a escola a necessidade de trabalhar os conhecimentos social e historicamente construídos, explorando “"metodologias que priorizem a criação de estratégias, a comprovação, a justificativa, a argumentação, o espírito crítico e favoreçam a criatividade, o trabalho coletivo, a iniciativa pessoal"” (PCNs, v. 3, p. 31). Todavia, desenvolver tais atitudes e capacidades nos alunos, certamente, não é tarefa fácil.
    Os avanços das investigações na área da psicologia cognitiva, no último século, e das pesquisas em educação matemática, no Brasil e no mundo nas décadas mais recentes, são significativos; contudo, permanecem ignorados pela maioria dos professores responsáveis pela educação das crianças brasileiras. Na prática de sala de aula, ainda, "“ensinar é sinônimo de usar a palavra, aprender é sinônimo de ver e ouvir”" (Miguel, 1994, p. 54) e essas estratégias, no dizer de Kamii (1995), criam mentes passivas e heterônomas.
    Para Piaget (1994), a autonomia é indissociavelmente social, moral e intelectual, portanto, não é possível desenvolver um aspecto sem que os outros se desenvolvam. Conforme o autor,
    na realidade, a educação constitui um todo indissociável, e não se pode formar personalidades autônomas no domínio moral se por outro lado o indivíduo é submetido a um constrangimento intelectual de tal ordem que tenha de se limitar a aprender por imposição sem descobrir por si mesmo a verdade: se é passivo intelectualmente, não conseguiria ser livre moralmente. Reciprocamente, porém, se a sua moral consiste exclusivamente em uma submissão à autoridade adulta, e se os únicos relacionamentos sociais que constituem a vida da classe são os que ligam cada aluno individualmente a um mestre que detém todos os poderes, ele também não conseguiria ser ativo intelectualmente (Piaget, 1978, p. 61).

    Apesar da indissociabilidade das diversas dimensões da autonomia, a extensão do tema exigiu uma delimitação para favorecer uma abordagem mais específica. O necessário recorte incidiu sobre a construção da autonomia intelectual da criança, tendo como objeto de estudo os conceitos numéricos. Assim, a busca por uma pedagogia que objetivasse não apenas a aprendizagem da matemática como um fim em si, mas, sobretudo, o desenvolvimento, por meio de seu ensino, da autonomia dos alunos exigiu o aprofundamento da compreensão de questões relacionadas tanto à autonomia quanto aos conceitos numéricos.
    Neste estudo, ao se colocar inicialmente o problema da situação da educação no Brasil, com um breve olhar sobre o tratamento que as questões escolares receberam desde a vinda dos portugueses, pretendeu-se encontrar possíveis respostas para os desastrosos resultados da educação brasileira que as pesquisas revelam ainda nos dias de hoje. Ao escrever estas páginas, na condição de professora de anos iniciais do ensino fundamental, a ideia foi repensar certos métodos, ainda largamente utilizados em nossas escolas, e pensar caminhos relativos à educação matemática que permitam o desenvolvimento da autonomia intelectual da criança, já a partir dos primeiros anos escolares.

    Texto retirado das páginas 11 e 12

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