Inclusão e Educação Especial

Inclução/Educação especial
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Escola inclusiva

a reorganização do trabalho pedagógico

Rosita Edler Carvalho
ISBN: 978-85-7706-026-9
ed. 152 p.
Esta é uma publicação de valor inestimável e que reúne o profundo conhecimento de uma das mais conceituadas educadoras deste país. Sua longa carreira, seus estudos e pesquisas, bem como os vários livros publicados têm sempre por compromisso a constituição de uma escola inclusiva, missão que vem perseguindo com muita fé e o entusiasmo que revela nesse texto, e com o carisma e a ternura que tornam essa educadora admirada no país e no exterior. Neste livro, Rosita aborda a questão da organização do trabalho pedagógico em uma escola inclusiva em termos de infraestrutura, planejamento, metodologias e gestão educacional. Leitura importante para professores, técnicos e gestores.
  • Sumário
    Prefácio
    Mônica Magalhães Kassar

    Introdução

    Para além da diversidade, a diferença
    Os conceitos da diferença
    Diferença como experiência
    Diferença como relação social
    Diferença como subjetividade
    Diferença como identidade

    A classificação de funcionalidade e sua influência no imaginário acerca das incapacidades
    O modelo médico e suas implicações
    O modelo social e suas implicações

    Das políticas de educação especial às políticas de orientação inclusiva
    Movimentos nacionais e internacionais
    e políticas de educação
    Processos históricos da evolução
    da política educacional
    Níveis de análise das realidades
    educacionais brasileiras
    Implementação do ideário da
    política de inclusão educacional

    O trabalho pedagógico na diversidade
    Sistemas educacionais: nível macropolítico
    As escolas: nível mesopolítico
    A sala de aula: nível micropolítico

    O que é aprender a aprender?
    As inteligências múltiplas
    A inteligência emocional
    A cultura do pensar
    Uma linguagem do pensar
    As disposições para o pensar
    A gestão mental

    A escola pode ser um espaço inclusivo?
    Em busca da resposta à pergunta que
    intitula este capítulo
    Intencionalidade educativa e político-pedagógica
    Resultados do ensino
    Organização do currículo
    Atividades de aprendizagem
    E, então, a escola pode ser um espaço inclusivo?
    Sobre atores e autores do espaço inclusivo

    Currículo e adaptações curriculares: do que estamos falando?
    Sobre currículo
    Sobre adaptações curriculares (AC)
    O projeto curricular

    Adaptações curriculares: finalidade e tipologia
    Finalidades das adaptações curriculares
    O contínuo das adaptações curriculares e as necessidades educacionais especiais

    A prática da pesquisa e a organização do trabalho pedagógico de orientação inclusiva
    Trabalho pedagógico centrado no ensino
    Trabalho pedagógico centrado
    na aprendizagem do aluno
    Delineando alguns gêneros de pesquisa

    Metodologia de estudo de caso e inclusão educacional escolar
    A prática de pesquisa
    O estudo de caso
    Trocando em miúdos
  • Trecho
    A educação inclusiva, tema que tem motivado inúmeras e interessantes discussões, diz respeito à educação de boa qualidade para todos. Essa observação inicial procede, devido aos inúmeros equívocos que, em nome da inclusão, têm sido cometidos, mesmo entre educadores experientes. É que muitos relacionam a proposta de educação inclusiva como dirigida, apenas, às pessoas em situação de deficiência. Embora esse contingente de cidadãos também faça parte dos beneficiários da melhoria da qualidade de educação que oferecemos em nossas escolas, a proposta inclusiva diz respeito a todos os alunos que, pelas mais diversas causas, têm sido marginalizados (excluídos) do processo educacional escolar. Também diz respeito aos demais alunos e alunas que participam do processo de aprendizagem de forma mecânica, sem exercitarem sua capacidade crítica e reflexiva. O leque dos candidatos a beneficiários do paradigma da inclusão educacional escolar é muito abrangente, principalmente se levarmos em conta as insustentáveis estatísticas educacionais brasileiras que nos apontam milhares de alunos que fracassam na escola e os que a ela nem têm acesso. Ao pensar na proposta de educação inclusiva, além de estendê-la a todos, sem exceções, cumpre relembrar que o processo educacional não se limita ao espaço escolar. Na escola ele se sistematiza no projeto curricular que inspira as práticas pedagógicas, com ênfase para a desenvolvida em sala de aula. Dizendo de outra maneira, a proposta inclusiva diz respeito a famílias inclusivas, a escolas inclusivas e a uma sociedade inclusiva, capazes de acolher e reconhecer as diferenças individuais e oferecer respostas educativas que atendam aos interesses e necessidades de todos. Trata-se, sem dúvida, de uma proposta muito ousada, principalmente considerando-se que vivemos (ou sobrevivemos...) numa sociedade de consumo, regida pelas leis do mercado e onde a competitividade entre as pessoas tem colocado inúmeras na condição de marginalidade, de exclusão, portanto. Fridman (2000, p.9), com muita propriedade, abre seu livro lembrando-nos que decorridos pelo menos dois séculos do advento do Iluminismo e de suas intenções e promessas, ainda hoje o capitalismo vitorioso não acolhe de maneira minimamente digna a maior parcela da humanidade, e o socialismo burocrático recém esboroado no Leste europeu apresentou uma sucessão de pequenos e grandes desastres (ou loucuras cometidas em nome da “certeza do fim último”, como dizia Antonio Gramsci), nas tentativas de construção de sociedades que se quiseram igualitárias e justas.(...) mas vive-se segundo as palavras de Anthony Giddens, em um “mundo instável e perigoso”. Embora nos cause desprazer tratar desses aspectos, que até podem parecer atalhos que nos afastam do tema deste capítulo, considero indispensável fazer algumas reflexões em torno dessas questões, pois educação é um ato político e não pode estar divorciada das polêmicas que se travam na economia, na antropologia, na filosofia, dentre outras áreas do saber e do fazer humanos. Encerrando essa breve introdução, destaco alguns pontos: – o processo educacional e a aprendizagem dele decorrente não é exclusividade das escolas. Nelas, esse processo se organiza, sistematiza e fica registrado (tendo caráter dinâmico e flexível) no projeto político da escola do qual faz parte o projeto curricular; – a sala de aula é o espaço privilegiado, embora não seja o único, onde a resposta educativa contempla as indagações: o que, como, quando ensinar e avaliar, objetivando atender aos interesses e necessidades de todos os alunos; – a proposta inclusiva tem um caráter abrangente envolvendo a família, a sociedade e a comunidade educacional escolar. Trata-se de um enorme desafio, pois vivemos num mundo que tem alcançado notáveis avanços tecnológicos, científicos e culturais que têm provocado novos estilos de vida, outros costumes e formas de organização social e que, paradoxalmente, também têm aumentado os desníveis socioeconômicos entre países e entre as populações de um mesmo país; – a proposta de educação inclusiva tem provocado uma verdadeira crise de identidade na escola, levando-a a ressignificar seu papel, suas crenças, políticas e práticas pedagógicas; – quando lutamos por uma sociedade inclusiva, lutamos por melhor qualidade de vida para todos, entendendo-se, por qualidade de vida, condições dignas de saúde, moradia, trabalho, estudo e lazer. Para isso, faz-se necessário resgatar o sentido da igualdade de valor entre os homens, bem como outros ideais democráticos; – no caso das famílias, serão tão mais inclusivas, quanto melhores forem suas condições de vida, de relacionamento interpessoal, de respeito às diferenças entre seus membros, independentemente de serem portadores de deficiência, ou não. Muitas famílias estão descrentes e desesperançadas, sem projeto de vida, sem objetivos e “descarregando” suas frustrações nos próprios filhos, menores e impotentes. Precisam de ajuda e apoio; – as escolas tornam-se mais inclusivas quando, como comunidades acadêmicas, buscam aprimorar sua oferta educativa, ou seja, quando buscam o êxito no processo ensino/aprendizagem contribuindo para a qualidade da cidadania dos alunos, bem como com suas famílias, seus professores e com nosso país. (...)
    (Introdução ao Cap.7: Currículo e adaptações curriculares: do que estamos falando?)

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