Inclusão e Educação Especial

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Estudos surdos

diferentes olhares

Ana Dorziat (Org)
ISBN: 978-85-7706-060-3
ed. 208 p.
Os textos aqui reunidos muito poderão acrescentar para aprofundar as discussões em torno da educação de surdos. Nos diferentes olhares dos autores/pesquisadores, há uma característica comum: a busca por desestabilizar o conceito de surdez ou de pessoa surda petrificado e estático que ainda impera na sociedade, e contribuir para a sua educação plena. Nas palavras de Ana Dorziat, a "esperança é contribuir para que a diferença dos surdos seja respeitada como produto de experiências interativas próprias, engendradas na complexidade do ser".
  • Sumário
    Apresentação
    Ana Dorziat

    O direito dos surdos à educação:
    que educação é essa?

    Ana Dorziat
    Joelma Remigio de Araújo
    Filippe Paulino Soares

    Análise de poesias em língua de sinais
    Shirley Barbosa das Neves Porto

    Dos desencontros com a linguagem
    escrita a um encontro plurilinguístico

    Rossana Delmar de Lima Arcoverde

    Inclusão escolar de surdos:
    o dito e o feito

    Niédja Maria Ferreira de Lima

    Língua de sinais: um instrumento viabilizador
    do desenvolvimento cognitivo
    e interacional do surdo

    Evangelina Maria Brito de Faria
    Edneia de Oliveira Alves
    Marie Gorett Dantas de A. e M. Batista
    Regina de Fátima F. V. Monteiro
  • Trecho
    Importância da aquisição de língua para o processo de interação do sujeito surdo
    A partir da visão de que a linguagem assume papel central nas inter-relações sociais, consequentemente no desenvolvimento do ser humano, compreende-se que o nível de importância da aquisição da língua de sinais para os surdos vai além da necessidade de comunicação com seus pares e familiares. Para Vygotsky (1998a, p. 38),
    signos e palavras constituem para as crianças, primeiro e acima de tudo, um meio de contato social com outras pessoas. As funções cognitivas e comumente da linguagem tornam-se, então, a base de forma nova e superior de atividades nas crianças, distinguindo-as dos animais. Pela posse e pelo uso da linguagem, os pensamentos são organizados e articulados. Através da utilização da língua materna, os indivíduos colocam em serviço sua atividade mental e é, quase exclusivamente pela linguagem, que se comunicam uns com os outros na vida social, seja fazendo uso da linguagem oral, verbal, não verbal, empregando símbolos, desenhos, mímicas e/ou sons. Tudo isso só é possível porque há uma língua com a qual, sem esforço, é possível ordenar o pensamento e expressá-lo. A linguagem dá um sentido de parceria na troca interpessoal, na qual a construção do conhecimento ao mesmo tempo constrói e transforma os sujeitos interactantes. É através dessa escuta avaliativa do processo interlocutivo como um todo que se dá a construção das relações interpessoais e, logicamente, do papel de interlocutor. Diante desses processos interlocutivos, a competência da língua oral é fundamental para a participação social efetiva, pois é por meio dela que o homem interage com o mundo, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista e produz conhecimento. Segundo Bakhtin (1995), o sujeito se constrói no social e através do outro. Se, por um lado, nessa construção, há uma articulação de saberes, que mobiliza os processos cognitivos, por outro, esse saber desencadeia ações e reações, desejos e intenções, expectativas, afetos. Nas e pelas interações internalizamos os produtos da cultura, como crenças, valores, conhecimentos, tornando-os nossos.

    (Trecho do Cap.4, p. 184-185)

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