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Linguagens geradoras

seleção e articulação de conteúdos em educação infantil

Gabriel de Andrade Junqueira Filho
ISBN: 978-85-87063-98-4
ed. 144 p.
Discute-se aqui a questão essencial do processo educativo: onde está a criança nas situações de aprendizagem propostas pelos professores? Gabriel propõe, neste texto, uma concepção de planejamento e de avaliação que se baseia nas múltiplas linguagens do universo infantil. Apresentando exemplos de projetos, de situações de aprendizagem e de relatórios de avaliação, ele ressalta a importância da ação mediadora, de supervisores com os professores e dos educadores em relação às crianças. Inovadora em todos os sentidos, a leitura revela o autor como um educador experiente e sensível em relação ao desenvolvimento infantil.
  • Sumário
    Prefácio

    Conteúdos-linguagens e linguagens geradoras
    O que as crianças “"querem porque precisam"” saber?
    Linguagens geradoras
    Parte cheia e parte vazia do planejamento

    Desemaranhando conceitos fundamentais
    Linguagem como objeto de conhecimento
    As diferenças entre linguagem e língua, fala e discurso
    Peirce e o seu processo relacional de representação
    Dinamismo e interdependência na produção de signos
    E o que isso tem a ver com linguagens geradoras?

    A proposta de seleção e articulação de conteúdos por meio de linguagens geradoras
    Falando de situações de aprendizagem (e não de atividades)
    A parte cheia do planejamento
    Instrumento de planejamento/avaliação
    dos conteúdos-linguagens
    Sobre a utilização do instrumento
    Avaliação: processo cotidiano de leitura e investigação
    Produzindo signos sobre as crianças:
    registros de avaliação
    Desenvolvendo projetos de trabalho:
    preenchendo a parte vazia do planejamento
    Alguns exemplos de projetos e comentários
    Projeto “"Literatura"”
    Projeto “"Sono...zzzzz..."
    Relatórios de avaliação
    Outros projetos
    Projeto "“Tudo cresce: as fases da vida"”
    Relatórios de avaliação
    A história de um projeto que não foi adiante
  • Trecho
    Prefácio 
     
    Impulso e rede. Como na vida do trapezista, esses dois componentes são, talvez, uma boa metáfora para dizer do efeito que a leitura do livro de Gabriel de Andrade Junqueira Filho produz no professor-leitor. Impulso tido como intenção, ímpeto, movimento próprio do sujeito que se vê compelido ao pressentir sua própria potência. Potência como desejo, vontade e necessidade, como propriedade de quem está vivo e vasculha o mundo experimentando posições a assumir ante os jeitos que ainda não existem nas coisas que já existem. Impulso de sair do lugar-comum, vigor de lançar-se na direção de um estado de aula inédito. Porque alunos, professoras e professores, por existirem, também são conteúdos, uns para os outros. E como cada encontro é um encontro singular, incomparável, os sujeitos ficam encharcados dessa gana de conhecer-se, conhecer o outro e dar-se a conhecer ao outro, sem o que perderiam seus traços, dissolvidos nas fórmulas prontas e no exercício de papéis preestabelecidos. Impulso inquieto por dar-se conta de que a infância, a aula, a escola, o currículo, os professores não são tão regulares e atiçam os sujeitos a pensar suas práticas como desenhos ao vento. Menos pela efemeridade do que se passa do que pelo desejo de acompanhar a realidade se fazendo, tomando parte nela, interferindo, inventando, descobrindo. Impulso como movimento na direção de fazer sentido, de fazer composição com o mundo e com o grupo para alcançar uma prática pedagógica que resulte de uma situação de pertencimento, que seja efeito do encharcamento de si por si. Rede tomada como horizonte, como referência, como parâmetro. Ser sua própria rede, ser seu próprio alvo, permitir-se a vertigem porque nada de si será estranho. Plantar repertórios de modo a servir de baliza para si mesmo, tomar-se como medida de si mesmo. Porque não há modelo suficiente. Porque não é de um lugar apartado que provêm as convicções. Porque a curta luz que alumia os caminhos vem dos próprios olhos. E é curta porque os caminhos são precários, também curtos, pequenos trechos de saber que sustentam um ou dois passos e que já, ao serem percorridos, pedem mais caminho. Trilhas-rede que vão dando sentido às ações, mas que vão pedindo novidade toda hora. Rede de sustentação feita de certezas provisórias que provocam mais impulso e mais rede, a cada lance, a cada movimento. Rede possível, que dá possibilidades e cutuca potências. Rede de sentidos, fruto da leitura de si, dos outros e do mundo, fermentando critérios, fomentando decisões, iluminando escolhas. Impulso e rede: o professor e a criança chafurdando no cotidiano e inventando o currículo. Gente sendo. Essa é a pista que se anuncia neste livro. O mundo é linguagem e conteúdo. Tudo o que existe é linguagem e conteúdo. Os professores e as crianças são linguagem e conteúdo. A aventura está em fabricar as estratégias e as ferramentas que tornam possível essa aproximação. O truque está em não desmedir o olhar, não eternizar as ideias e as representações, não aprisionar a vida em signos parados. Tomar sua rede de sentidos para inventar as primeiras estratégias, para firmar os primeiros passos. Perseguir o que "quero porque preciso" saber das crianças, de cada uma e do grupo todo, do mundo aí à volta, da vida viva sendo vivida. E ir fabricando meu próprio impulso por causa dessa sempre precariedade do que sei. E fazer escolhas e tomar decisões de rumo, de paisagem, de trajeto. Prestar atenção no que as crianças "querem porque precisam" saber e articular essa pilha de desejos-vontades-necessidades com o tanto de coisas que "quero porque preciso" saber que vão assomando pelo caminho. Linguagem gerando linguagem, conteúdo gerando conteúdo, mundo gerando mundo. E o professor virado numa espécie de Mágico de Oz, um humano bem humano, alquimista de vontades, de desejos e de necessidades, meio maestro de uma orquestra feita de mundos e gentes, um tanto do qual ele mesmo faz parte. Este livro nos chega como um presente. Um precioso presente que Gabriel Junqueira Filho partilha conosco. Escrito em um estilo singular, faz ressoar uma melodia que se entranha em nossos olhos. Compassado feito uma história contada, contamina de luzes e imagens os nossos ouvidos. Provoca, dá colo, atiça, pergunta, responde, duvida, mostra, inquieta, peita, examina, conta, explica, instiga. Num exercício de intensa cumplicidade, Gabriel intima à inteligência. Parafraseando Rainer Maria Rilke, eu diria que é impossível permanecer em nossos lugares-corações quando os sinos deste livro soam.
    Marcos Villela Pereira

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