Educação Infantil

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Pedagogia do brincar

Cláudia Inês Horn et al.
ISBN: 978-85-7706-075-7
ed. 176 p.
O fio condutor da publicação, fundamentado por Tânia Ramos Fortuna, autora de renome no tema, é o alerta de que não se brinca na escola "para aprender", ao contrário, aprende-se brincando com liberdade e oportunidades desafiadoras, princípio que desenvolve no capítulo 1. No capítulo 2, Vera Lúcia Bertoni dos Santos, em um texto muito importante, descreve e ilustra, com fotos e exemplos, como se dá a evolução das brincadeiras infantis tendo por base a teoria de Piaget. Nos demais capítulos, tais pressupostos teóricos são colocados em prática por meio da apresentação de jogos construídos com materiais de baixo custo e de outras brincadeiras em salas de aula, incluindo comentários de professores que utilizaram essas brincadeiras.
  • Sumário
    Apresentação | Em respeito ao direito de brincar
    Cláudia Inês Horn
    Jacqueline Silva da Silva
    Juliana Pothin

    A importância de brincar na infância
    Tânia Ramos Fortuna?

    Jogo, brinquedo, brincadeira ou ludicidade?
    Como resolver esta confusão conceitual?
    Aprendendo com o brincar para aprender brincando
    Como formar professores que gostem de brincar?
    A escola é um lugar de brincar
    Que lugar a brincadeira deve ocupar na Educação Infantil?
    Como se joga?
    Para o professor, por que saber disso?
    O espaço do brincar
    A escolha de brinquedos e brincadeiras

    Brincadeira na infância e construção do conhecimento
    Vera Lúcia Bertoni dos Santos

    Dos reflexos do bebê à imitação representativa
    A criança aprende a imitar
    Imitando seus próprios sons e movimentos
    Reproduzindo ações observadas no cotidiano
    Dos jogos de exercício às representações teatrais
    Os jogos de exercício simples
    A ampliação da percepção e da mobilidade
    A interação com diferentes materiais
    Os jogos simbólicos ou de faz de conta
    Interagindo com o mundo dos adultos
    Brincando de "“casinha”"
    Jogando com situações reais
    A busca da “"verdade”" da representação
    Os avanços do processo de socialização

    Jogar e brincar com materiais de baixo custo
    Cláudia Inês Horn
    Jacqueline Silva da Silva
    Juliana Pothin

    O que professores e crianças pensam sobre o brincar?
    Brincar é coisa séria?
    Crianças e sucatas
    No trabalho com sucata, nada se oferece pronto
    O adulto como “"assistente"” da criação
    Jogos criados ou adaptados
    A exploração dos jogos pelas crianças
    Jogos para crianças de zero a dois anos
    Jogos para crianças de dois a quatro anos
    Jogos para crianças de quatro a seis anos
    Jogos para crianças de seis anos em diante
    Interesse das crianças na construção dos jogos
    Visão dos professores em relação à ludicidade
    As propostas pedagógicas das escolas em relação ao lúdico
    Desencadeamento de atividades lúdicas na escola

    Aprender brincando?
    Fernanda Fornari Vidal

    O brincar na minha vida
    História da infância e suas relações com o brincar e a escola
    Problematizando o brincar
    O que as pessoas dizem?
    As "“oficinas lúdicas"”: quem quer brincar?
    Rimando aprender com prazer
    Atêlies
    Mural das novidades
    Jogos recreativos
    Encontro pelas adivinhas
    Se eu fosse...
    Jogo dos rótulos
    Caixinha de surpresas/caixinha musical
    Ursinho
    A bala pro beijo
    Jogo do abraço
    O que aprendi ao brincar com as crianças?

    Referências
  • Trecho
    Quando pensamos em brincar, em brinquedos e brincadeiras, de imediato lembramos de nós enquanto crianças, bem como de todas as pessoas que fizeram parte dessas brincadeiras: pais, irmãos, parentes, amigos e colegas. Todos guardamos boas lembranças do tempo de infância, quando os amigos do bairro se reuniam, os maiores com os menores, os meninos com as meninas, para brincar de pega-pega, de montar cabanas no mato, para andar de bicicleta, escorregar morro abaixo sobre pedaços de papelão e para muitas outras brincadeiras que nos divertiam tanto que nem víamos o tempo passar...
    E nos tempos atuais, as crianças brincam? Muitas vezes, de maneiras diferentes do nosso tempo, mas todas as crianças brincam. Em todos nós está sempre presente a motivação para explorar, descobrir, aprender, e isso acontece, naturalmente, pelo ato de brincar. Alguns pesquisadores afirmam que, ao longo dos anos, essa motivação vem se perdendo devido ao fenômeno da urbanização. Por influência dos próprios adultos, as crianças, a cada dia, se tornam mais ocupadas com atividades que compõem sua rotina, como aulas de inglês, de dança, escolinhas disso ou daquilo. Essas atividades podem ser extremamente “produtivas”, contudo não englobam o "“ser criança"”, descaracterizando o que consideramos como uma infância ideal, pois a rotina, muitas vezes, ocupa o espaço da imaginação. A preocupação de muitos pais e professores é a de "“aproveitar"” ao máximo todos os momentos para a criança “"aprender algo"”, por vezes, artificialmente, penosamente, diretivamente.
    Também a televisão e o computador são vistos como grandes vilões por muitos professores em função dos seus apelos consumistas, por explorar recursos eletrônicos, imagens e ídolos do público infantil para alcançar seus objetivos, prendendo as crianças “"passivamente"” frente às telinhas por muitas horas e/ou reduzindo-as a espectadores passivos. Percebe-se, por outro lado, a influência do próprio adulto em termos da “"passividade das crianças"” uma vez que esses facilmente se entregam aos encantos dos brinquedos industrializados. Quantos de nós, adultos, já não compramos um brinquedo para presentear a uma criança, talvez levados pelo próprio desejo de possuí-lo, e percebemos, posteriormente, que a criança que o recebeu demonstrou, de fato, pouco interesse por ele?
    Desafiar as crianças a criar situações novas nas brincadeiras, incentivá-las a explorar todos os espaços de forma lúdica, tanto os naturais quanto os construídos, tudo isso ajudará a abrir caminhos para a criatividade, para a fantasia e a aventura. Correr, pular, subir em árvores permite que ela esteja em contato com a natureza e perceba do que é capaz, dando-lhe noção de força, distância, velocidade, enfim, conhecer o mundo que a cerca. Estar ao ar livre é estar sendo privilegiada com a sensação de liberdade. Citam-se aqui as palavras de Machado (1994, p. 38) que sugere “"que n'’algum momento do dia, o chão possa ser usado para fazer estradas e caminhos"”.
    É preciso, também, deixar a criança brincar livremente em seu dia a dia, sem compromissos de tempo, sem rotinas rígidas, sem incutir nela o medo e a insegurança, característicos dos adultos, e estimular a criatividade por meio da experimentação. Escreve Jones (2004, p. 54) que
    Nossos medos são naturais e nos fazem refletir sobre algumas das questões filosóficas a respeito da criação dos filhos. Mas acredita-se que se coloca um peso sobre as crianças, que elas não deveriam ter que carregar, quando se despejam as ansiedades de adultos, de maneira inapropriada, sobre suas fantasias. Enquanto brinca, a criança transporta para a brincadeira o mundo real e vincula o brincar às regras que fazem parte do seu dia a dia. É comum observar-se ela representar, em suas brincadeiras, situações que presenciou em seu meio, como ao brincar com suas bonecas, assumindo o papel de mamãe e conversando com sua "“filhinha”": "“Vamos lá, você precisa escovar seus dentinhos"”, ou "“Já está na hora de dormir, precisamos desligar a TV"”, "“A rua é perigosa", não passe do portão”. Assim, ao brincar e jogar, ela faz o que mais gosta, mas, ao mesmo tempo, reconhece e reafirma seus limites, aprende a controlar seus impulsos imediatos, condicionando-se às regras estabelecidas socialmente.
    A liberdade de ser criança está diretamente associada ao contato com a natureza (da qual está tão privada hoje, devido à violência urbana), ao contato com o outro, é decorrente dos desafios propostos por aqueles com quem convive e da superação de suas limitações. Cabe aos pais e professores respeitar esse seu direito fundamental, para que ela se transforme em um adulto criativo, livre e consciente da necessidade de valorizar o ambiente que a rodeia.
    O brincar, na infância, favorece a construção de sua personalidade.Se o desejo for educar crianças autônomas, capazes de organizar brincadeiras criativas e espontâneas, que não questionem, constantemente, “"quantos passos posso dar”", dever-se-á ter presente a ideia de que o brincar é construtor de novas aprendizagens e de interações muito significativas, principalmente na infância, uma etapa tão importante de seu desenvolvimento.
    Considerando a importância do brincar na infância, nosso objetivo, nesta publicação, é justamente, delinear uma "“pedagogia do brincar", apresentando a professores, gestores e outros profissionais que lidam com crianças, fundamentos teóricos e práticos sobre o tema, ricamente ilustrados com exemplos e sugestão de jogos e brincadeiras, relatos de experiências com crianças de diferentes idades e vivências com formação de professores. Boa leitura e... vamos brincar?

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