Fundamentos Pedagógicos

Alta resolução +
Consultar

Ser professor é ser pesquisador

Fernando Becker e Tania B. I. Marques (Orgs.)
ISBN: 978-85-7706-021-4
ed. 136 p.
Com estudos recentes e inovadores sobre as contribuições da teoria de Piaget ao processo pedagógico, os autores defendem que a escola atual exige um professor curioso e pesquisador. Dizem mais: que educar e pesquisar são tarefas complementares que se fecundam mutuamente. O ponto de encontro das duas é a reflexão que permite inventar novas ações educativas. Trazendo exemplos de práticas pedagógicas de professores pesquisadores, convidam a observar e a aprender com as crianças e os jovens sobre seus diferentes jeitos de pensar e agir, trazendo orientações nesse sentido.
  • Sumário
    Introdução
    Fernando Becker
    Tania B. I. Marques


    Ensino e pesquisa: qual a relação?
    Fernando Becker

    Professor pesquisador no sentido estrito
    Professor pesquisador no sentido amplo
    Conhecimento construção
    Experiência e transformação
    Professor reflexivo

    Descobre-se o que existe, inventa-se o que não existe
    Rogério de Castro Oliveira


    O método clínico-crítico de Jean Piaget
    uma aula com Silvia Parrat-Dayan
    Vera Lúcia Bertoni dos Santos

    O objeto de Piaget: o conhecimento humano
    A invenção do bebê como objeto de estudo
    Ação e pensamento: o estudo das origens da razão
    Teoria e método
    Uma crítica às pesquisas posteriores sobre os bebês
    O método da aprendizagem
    O pensamento do adulto
    Do desejo de aprender e de ensinar

    O professor construtivista: um pesquisador em ação
    Patrícia Fernanda Carmem Kebach

    O que é método clínico?
    O professor pesquisador
    Os processos de aprendizagem
    e a criança, segundo a epistemologia genética
    E a pesquisa, o que é?

    Professor ou pesquisador?
    Tania B. I. Marques

    Saber fazer é insuficiente para ensinar
    Pesquisar o pensamento do aluno
    Egocentrismo e descentração
    Pesquisar para descentrar

    O professor pesquisador e a liberdade do pensamento
    João Alberto da Silva

    O engessamento do pensamento
    As possibilidades de construção
    de um professor pesquisador

    A multiplicação para além da tabuada: uma investigação das operações aditivas e multiplicativas
    Darli Collares

    Algumas lembranças
    O método clínico
    A organização das propostas
    Os resultados dessas investigações

    O papel do professor na construção
    do pensamento matemático
    Clarissa Seligman Golbert

    O ensino da matemática em questão
    A investigação do professor
    Piaget, a epistemologia genética e o ensino da matemática
    Antes da noção de número: as experiências de contagem
    O pensamento intuitivo e as primeiras representações numéricas
    Rumo às operações
    Novos desafios matemáticos: o sistema numérico posicional
    Para finalizar: as reformulações necessárias

    Pesquisa em sala de aula: da ação pura e simples para um “saber sobre”
    Maria Luiza Rheingantz Becker
    Stela Maris Vaucher Farias
    André Augusto da Fonseca

    A educação física na perspectiva da professora Stela
    As aulas de história na perspectiva do professor André
    A explicação da tomada de consciência


    Aprender investigando
    Juan Delval

    Empirismo e inatismo
    O construtivismo
    Como se constrói o conhecimento
    A formação de representações
    A construção das explicações
    O caráter social do conhecimento
    Formas de aprender
    Trabalhar investigando
  • Trecho
    “Professor ou pesquisador”
    Trecho retirado do Cap. 5, págs. 55-56
    Segundo o "Dicionário Aurélio"”, professor é "“aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina”". Por outro lado, ensinar significa “"1. ministrar o ensino de; transmitir conhecimentos de; instruir; lecionar. (...) 4. dar a conhecer"”. O mesmo dicionário informa que pesquisador é "“que ou aquele que pesquisa"”. E pesquisar significa "1. buscar com diligência; inquirir, perquirir; investigar. 2. informar-se a respeito de; indagar, esquadrinhar, devassar".” E pesquisa corresponde a “"1. ato ou efeito de pesquisar. 2. indagação ou busca minuciosa para averiguação da realidade; investigação, inquirição. 3. investigação e estudo, minudentes e sistemáticos, com o fim de descobrir ou estabelecer atos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento"”.
    Depois dessas definições, volto ao questionamento inicial: afinal de contas, o professor ensina ou o professor pesquisa? Pensemos sobre algumas indagações básicas que se podem fazer sobre a atuação do professor. Se o professor ensina, ensina o quê? O professor ensina o que ou ensina a quem? Se o professor ensina algo, ele precisa questionar-se o que é isso que ele ensina. Se o professor pretende ensinar algo, ele precisa saber esse algo que pretende ensinar. Ele precisa questionar-se a respeito de como sabe aquilo que pretende ensinar. Precisa questionar-se também se sempre soube o que sabe e aquilo que ensina. Embora tenha a sensação de que sempre soube, isso não corresponde à realidade. Outro questionamento que se pode fazer sobre a atuação do professor é se ensina da mesma forma a todos e se sempre ensinou da mesma forma. Além disso, pode-se questionar a respeito do fato de que, se o professor ensina, em algum momento ele deve ter aprendido. E se ele aprendeu, como aprendeu? Esse questionamento leva a um outro: se o professor aprendeu de um jeito, todos aprendem do mesmo jeito? Além disso, ao aprender o professor aprendeu em um determinado tempo. Mas será que isso significa que todos aprendem no mesmo tempo? Ao aprender, o professor teve suas próprias motivações, suas próprias necessidades. Mas, se o professor aprendeu por um motivo, todos aprendem pelo mesmo motivo? O que estou fazendo, ao fazer todas essas perguntas? Estou ensinando, ou estou pesquisando? Ao escrever este texto eu quero ensinar algo e, ao mesmo tempo, estou pesquisando algo. Estou pesquisando, dentro de mim, a forma como eu imagino que será a melhor maneira de os leitores entenderem o que eu tenho a ensinar. Mas, ao mesmo tempo, estou tentando fazer com que o leitor pesquise o próprio pensamento, buscando as relações entre o ensinar e o pesquisar. Estou ensinando, pesquisando, tentando fazer aprender e tentando fazer pesquisar.
    Ensinar pressupõe, como diz o dicionário, "uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina"”. E, para poder ensiná-la, é preciso conhecê-la. Então, professor é aquele que ensina o que sabe, o que ele próprio aprendeu. Estamos diante de um novo questionamento: para ensinar basta saber algo ou é necessário saber também o como ensinar esse algo? E para ir mais longe, podemos questionar se para ensinar basta lembrar-se do próprio processo de aprendizagem daquilo que se está querendo ensinar. O professor, às vezes, se lembra do seu próprio processo de aprendizagem. Mas não se lembra do suficiente, a respeito de seu próprio processo de aprendizagem, para que possa ensinar.

Sugestões de outros títulos:

carregando...