Avaliação

Avaliação
Alta resolução +
R$ 46,00

Ser professor

é cuidar que o aluno aprenda

Pedro Demo
ISBN: 978-85-87063-86-1
ed. 96 p.
Para Pedro Demo, a função precípua do professor é cuidar da aprendizagem do aluno com afinco, dedicação, sistematicidade, persistência. Em vez de alguém treinado para ensinar, o educador deve ser um eterno aprendiz, porque somente esse conseguirá tornar seu aluno aprendiz. De forma sucinta, mas intensa, aponta caminhos ao professor no sentido de levar os alunos a tornarem-se curiosos, autônomos e criativos. Para alcançar esse objetivo considera essencial o repensar da avaliação nas escolas no sentido do efetivo acompanhamento das aprendizagens individuais.
  • Sumário
    Introdução

    Aprender/conhecer

    Avaliação descarrilada

    Que é avaliar?

    Criticar a avaliação

    Lógica/democracia da avaliação

    Aprendizagem e avaliação
     
  • Trecho
    Introdução
    Este é um texto curto e preliminar sobre um tema longo e complicado, geralmente uma grande dor de cabeça para os professores básicos: avaliar. Já escrevi outros dois textos sobre avaliação (Demo, 1996; 1999) e não pretendo aqui me repetir. Busco agora trabalhar ainda mais de perto a vinculação entre avaliar e aprender, e, em particular, oferecer uma plataforma de estilo mais prático, sem cair nas receitas prontas. Gostaria de argumentar em favor da avaliação, apesar de todos os incômodos e mal-estares que pode provocar e quase sempre provoca, porque acredito que, se nosso objetivo for cuidar da aprendizagem do aluno, não se faz isto de maneira sistemática e, sobretudo, profissional sem avaliar meticulosamente este processo.
    O único sentido da avaliação é cuidar da aprendizagem. Mas, como os professores estão de mal com a avaliação, a maioria descambou para a “"progressão automática"” e infiltrou-se nas escolas a ojeriza generalizada, é importante também desfazer tais reações, para que processos avaliativos retomem seu lugar adequado, sempre e unicamente a serviço da aprendizagem dos alunos. Avaliação, se mal feita, só atrapalha. Se bem feita, entretanto, pode ser estratégia fundamental, por vezes decisiva. Embora avaliação ande mal afamada, continua sendo praticada a torto e a direito nas escolas, quase sempre da forma mais canhestra, sob o nome de" “prova"”. É bem generalizada a crença de que prova é forma particularmente infeliz de avaliação, mas, mesmo assim, continua de pé, impávida. É intrigante: de um lado, procura-se estigmatizar a avaliação, a ponto de se pretender descartar, pura e simplesmente; de outro, ao se fazer avaliação, faz-se tendencialmente a pior possível.
    Por mandato da LDB (Demo, 1997), o MEC instalou processos avaliativos já bem conhecidos, contestados e discutidos, cujos dados ressaltam, acima de qualquer coisa, que a aprendizagem nas escolas é clamorosamente baixa e continuaria em queda. Entrementes, entraram em cena os 200 dias letivos, que, aparentemente, em nada contribuíram para melhorar a aprendizagem dos alunos1. Por volta de um terço dos alunos do ensino fundamental não completa a 8a série e os que a completam aprendem muito pouco: segundo dados da UNESCO de 2003, grande parte dos alunos da 8a série não entende o que lê. A rigor, continuam "“analfabetos"”. Constatam-se várias melhorias de teor quantitativo, como cumprimento razoável da escolaridade (quase todas as crianças em idade escolar frequentam a escola), aumento expressivo da demanda de ensino médio, bem como de ensino superior, alguma melhoria salarial dos professores pela via do FUNDEF2, redução paulatina da repetência/reprovação e da distorção idade/série, incremento sistemático de oferta de semanas pedagógicas para professores, abertura de inúmeros cursos de pedagogia (em particular mormal superior), etc., mas nada disso parece repercutir na melhoria da aprendizagem do aluno.

    Trecho retirado das páginas 5 e 6.

Sugestões de outros títulos:

carregando...