O dueto leitura e literatura: na educação de jovens e adultos

O dueto leitura e literatura: na educação de jovens e adultos

No livro O DUETO LEITURA E LITERATURA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, Juçara Benvenuti propõe unidades e atividades correlatas que envolvem diferentes gêneros literários, leitura, interpretação e expressão literária. Leia abaixo o exemplo de uma das unidades propostas no livro.

Quem sou eu?
 
Primeiro dia
: inicia-se a aula conversando com os alunos sobre “quem sou, onde nasci, onde já residi, onde moro atualmente, outras informações pertinentes”. Os alunos vão se apresentando, referindo-se a essas questões. Após, forma-se cinco grupos para a leitura de cada um dos textos oferecidos: autobiografia/biografia de Fernando Pessoa, a poesia “Eu”, de Florbela Espanca, a bio-bibliografia de Lygia Bojunga, um excerto do romance “O Rio e eu”, de Lygia Bojunga (sugere-se, para essa atividade, escolher uma personalidade de destaque relacionada à história, às ciências, em destaque na mídia ou que esteja sendo estudada/mencionada em trabalhos de outra disciplina. Mas, para demonstrar como alcançar os objetivos da atividade, citam-se algumas obras que podem ser utilizadas). Após cada grupo ter escolhido qual texto vai ler, orienta-se a discussão com a finalidade principal de levá-los a perceber a objetividade e a subjetividade dos textos. Em seguida, no grande grupo, o representante dos pequenos grupos compartilha com os demais colegas da turma as anotações dos seus colegas. Na sequência, orienta-se a tarefa escrita, que todos (alunos e professores) devem realizar: o registro dos relatos autobiográficos feitos oralmente no início da aula, de forma objetiva ou subjetiva, conforme preferirem.
 
Segundo dia: distribui-se uma folha padronizada (que irá fazer parte do portfólio) e orienta-se a reescritura da produção, corrigindo­-a ou ampliando-a. E, a seguir, encaminha-se a leitura oralizada do texto corrigido para a turma que fará a identificação da forma (objetiva ou subjetiva) que o aluno optou para realizar seu relato. Por último, encaminha-se a preparação do material para compor o portfólio. Os alunos podem trazer de casa uma ilustração, como uma fotografia de quando eram bebês com seus pais, com os irmãos, com os padrinhos ou da casa onde moraram ou um desenho, uma caricatura.
 
Minha vida na escola
 
Primeiro dia: inicia-se a aula conversando com os alunos sobre fatos relacionados à vida escolar, deles e do professor, que nos marcam e se mantém como lembranças fortes, pedindo aos alunos que façam seus depoimentos: podem abordar uma troca de escola, algum castigo recebido, merecido ou não, uma reprovação, uma advertência, um estímulo, uma recompensa, uma nota boa, etc. Para completar o relato, os alunos dizem por que entraram na EJA, quanto tempo ficaram afastados da escola, o que os motivou a voltarem a estudar, como escolheram essa escola. Depois do relato oral, todos registram as informações pessoais numa folha padronizada para a elaboração de narração de um fato, escolhendo uma das formas de apresentação do texto (subjetiva ou objetiva). Na sequência, encaminha-se a leitura de dois textos, para que os alunos façam a escolha de um deles para ler: “Conto de escola”, de Machado de Assis e “Inesquecivelmente ridículo”, de Wagner Costa. A atividade pode ser feita com folhas xerocadas ou com a projeção do texto por meio do datashow. Após a leitura, provoca-se uma discussão sobre as ideias dos textos, sua estrutura, a construção das frases, os tempos verbais, etc. Para estimular a possível leitura do texto não lido, solicita-se que alguns alunos façam breves comentários do conto que leram. Encaminha-se, a seguir, o registro no caderno por uma pequena ficha de leitura, de acordo com o tempo disponível.
 
Segundo dia: inicia-se formando grupos de quatro ou cinco alunos para fazer a reescritura da produção do relato da aula anterior na folha padronizada, corrigindo-o ou ampliando-o. Em seguida, encaminha-se a leitura oralizada do texto corrigido para o grupo. Após, orienta-se a preparação do material para ser adicionado ao portfólio. A ilustração da subunidade pode ser feita com o acréscimo de um boletim ou registro escolar antigo, fotografia da escola, dos colegas ou do próprio aluno na época do fato narrado.
 
 Aconteceu na minha cidade
 
Primeiro dia: conta-se uma lenda urbana (da cidade em que se está). Em seguida, os alunos contam uma lenda urbana que conhecem da cidade onde nasceram ou de onde vivem. Caso algum aluno não conheça nenhuma, pode contar uma história que tenha ouvido de alguém. Após o relato oral, todos registram numa folha padronizada as lendas (ou histórias) que contaram oralmente. Em seguida, lê-se “A lenda da timbaúva” e a “Leyenda del ceibo” em língua espanhola, e/ou convida-se o professor de língua espanhola para visitar a turma e conduzir a atividade. Discutem-se as semelhanças e diferenças entre os textos, além do idioma e do local de onde são.
 
Segundo dia: organiza-se a turma em duplas para fazer a reescritura da produção da aula anterior na folha padronizada, corrigindo-a ou ampliando-a e a leitura oralizada do texto corrigido. Encaminha-se, a seguir, a preparação do material para ser adicionado ao portfólio. A ilustração sobre a lenda contada pode ser um desenho, uma colagem, uma fotografia, etc. Se houver tempo na aula, distribuem-se cópias de algumas lendas urbanas da cidade em questão para outras leituras e discussão acerca do gênero e da temática.
 
Lembrando da infância
 
Primeiro dia: inicia-se conversando com os alunos que têm filhos ou netos, o que cantam para fazê-los dormir ou brincar. Aqueles que ainda não têm filhos podem fazer o relato de trabalho de cuidado com crianças (de irmão menor ou como trabalho remunerado). Ainda é possível trazer à tona o que o próprio aluno ouvia na infância. Em seguida, distribuem-se excertos de textos de Verissimo de Melo e Claudemir Belintane com alguns exemplos de acalantos, cantigas de roda, parlendas, mnemônias, brincos e oriento a leitura, enfatizando aqueles que forem reconhecidos. Deixa-se um tempo livre para os grupos brincarem com o material. A seguir, os alunos realizam a produção por escrito do relato feito oralmente com apoio da transcrição do texto escrito distribuído.
 
Segundo dia: orienta-se a reescritura da produção na folha padronizada, corrigindo-a ou complementando-a, e após faz-se a leitura oralizada do texto corrigido para a turma, para fazer a identificação do(s) gênero(s) que faz(em) parte do relato. Encaminha-se a preparação do material para ser adicionado ao portfólio, que pode conter uma fotografia de alguém que cantava para o aluno dormir ou de criança brincando de roda, fotografia de filhos ou netos brincando, etc., como ilustração.
 
Uma festa e tanto!
 
Primeiro dia: inicia-se a aula com um relato subjetivo que retrate um fato específico como um casamento, uma festa de quinze anos, Natal, Ano Novo, um batizado ou uma formatura, etc. A seguir, solicita-se aos alunos que façam os seus relatos orais e orienta-se sua escritura. Depois, formam-se grupos pequenos (duplas ou trios) que podem escolher entre as opções de leitura: o conto “Feliz Ano Novo”, de Rubem Fonseca, o “Conto de Natal”, de Rubem Braga e “Festa de aniversário”, de Luis Fernando Verissimo. Após, encaminha-se a discussão da leitura com a turma toda.
 
Segundo dia: pede-se que se reúnam os mesmos grupos da aula anterior para fazer a leitura e reescritura da produção na folha padronizada, corrigindo-a ou ampliando-a. Após, orienta-se a preparação do material para ser adicionado ao portfólio, se possível, com cópia de certidão de casamento ou nascimento ou fotos do evento narrado, etc. para ilustrar. Em seguida, encaminha-se a leitura de dois poemas: “Poema de Natal”, de Fernando Pessoa e algum de matriz oral, preferencialmente com características regionais. Após, orienta-se a troca dos parceiros das duplas para ampliar a discussão anterior. Pode-se, também, encaminhar a leitura de colunas jornalísticas sobre eventos sociais atuais.
 
Nossa língua
 
Primeiro dia: nessa aula, o trabalho pode ser integrado com a disciplina de música e as atividades encaminhadas pelos dois professores. Inicia-se a aula com a leitura do texto “Nossa língua” que adaptei de “Nossa língua mestiça”, de Rafael Capanema e Paula Chiuratto, publicado em Brasil – Almanaque de Cultura Popular. Encaminha-se a discussão sobre os enfoques do texto que abrangem os usos da língua portuguesa atualmente, sua evolução, as influências que recebeu de outras culturas e línguas em sua formação. Convida-se os alunos a pensarem e a relatarem oralmente e, depois por escrito, o que sabem sobre o uso da língua materna, destacando gírias, dialetos, modos próprios de falar. Em seguida, oportuniza-se a audição da música “Língua”, de Caetano Veloso ou deixa-se a cargo do professor de música conduzir a atividade. Depois, distribuem-se cópias a todos para cantarem acompanhando a letra e encaminha-se a discussão dos sentidos que os alunos depreendem da leitura; verificam-se dúvidas de vocabulário; discutem-se figuras de linguagem, intertextualidades, correlações. Depois, os alunos comentam sobre as músicas que marcaram sua juventude e tentam transcrever a letra de uma delas. Orienta-se que procurem as músicas e as tragam para a aula seguinte junto com o que conseguirem para a ilustração: fotos ou uma cópia de pequeno texto da internet, revista, jornal ou livro sobre o autor ou sobre a obra referida.
 
Segundo dia: organiza-se a turma em grupos de quatro ou cinco para fazer a leitura e reescritura da produção do relato da aula anterior e da letra da música, comparando-a com a letra que trouxeram. Esse material é a produção da subunidade e vai para o portfólio na folha padronizada, junto com o que conseguiram para ilustrar. A seguir, encaminha­­­­-se a leitura de dois textos, com opção de escolha livre: “Minha pátria, minha língua”, de Fernando Pessoa e “Língua portuguesa”, de Olavo Bilac. Deixa-se um tempo para leitura individual e orienta-se a seguinte atividade: os alunos que leram a primeira opção questionam os colegas que leram a segunda e vice-versa. Após, organiza-se a audição das músicas que conseguiram.
 
Poesias da nossa história
 
Primeiro dia: nessa subunidade, o trabalho pode ser integrado com a disciplina de história. Inicia-se a aula fazendo uma breve contextualização do “Romanceiro da Inconfidência” e de Cecília Meireles. Os alunos contam o que sabem sobre o tema, sobre Cecília Meireles e sobre poesia, em primeiro lugar, oralmente, e depois, por escrito. Se o professor de história estiver presente, pode-se encaminhar o passo seguinte do trabalho: um texto histórico objetivo e resumido sobre o tema, distribuído a todos para leitura. Após essa atividade, outra folha é distribuída com excertos da poesia de Cecília Meireles para comparação com o texto objetivo e para estudar algumas noções de versificação. Havendo condições, pode-se levar algumas obras completas para manuseio ou projeta-se o texto na íntegra. A seguir, organiza-se a turma em duplas para a produção de um poema sobre o mesmo tema.
 
Segundo dia: organizam-se novamente as duplas para fazer a reescritura da produção do relato e do poema da aula anterior, corrigindo-o e complementando-o, se necessário. A seguir, orienta-se que cada componente da dupla leia o relato para o colega e encaminha-se a preparação do material para ser adicionado ao portfólio, que vai incluir o relato e o poema com a ilustração representativa da temática trabalhada. Na sequência, divide-se a turma em três grandes grupos para realizar a leitura de uma das seguintes opções oferecidas: excertos dos poemas “Vila Rica”, de Cláudio Manuel da Costa, “Estampas de Vila Rica”, de Carlos Drummond de Andrade e excertos de “Cartas chilenas”, de Tomás Antônio Gonzaga. Após cada grupo apresenta seu texto aos demais para conhecimento geral e, em seguida, encaminha-se uma discussão sobre os pontos que os alunos destacarem.
 
 

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